sábado, 30 de novembro de 2019

Resultados do II Encontro do NEP-Mackenzie


Compartilhamos os resultados do II Encontro do NEP-Mackenzie, que ocorreu na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e contou com a presença de 34 participantes, representantes de 18 instituições diferentes, entre Embrapa, BNDES, Ministério da Defesa, Ministério da Ciência, Tecnologia Inovação e Comunicação, Apex-Brasil, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, FINEP, CAIXA e CNI, além de representes da academia como do UniCeub e da Universidade Católica de Brasília.

Criado em julho de 2018, o NEP-Mackenzie possui como missão “Contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico no campo dos estudos de futuro em apoio à formulação de estratégias e políticas públicas”. E por meio desse evento atende seu objetivo estratégico de “realizar e divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro”.

O evento iniciou-se com uma apresentação por mim proferida onde apresento o NEP, as atividades desenvolvidas este ano e as principais lições aprendidas até o momento. Fui seguida pela apresentação do Dr. Rodrigo Mendes Leal, com palestra sobre o “Planejamento das Estatais no Brasil e perspectivas de utilização de cenários”, seguido pelo Dr. Hercules Antônio do Padro, que apresentou a “Plataforma de Ideação: um apoio ao planejamento por cenários", plataforma tecnológica que irá apoiar o processo de planejamento por cenários.

Na sequência, o Dr. Marcello José Pio apresentou “Competências para um cenarista” ensaio construído com base no levantamento realizado no projeto Define, após um rápido coffee break, o Dr. Thomaz Fronzaglia retomou as atividades com um debate sobre “O uso dos cenários para o planejamento estratégico de CT&I”. “A contribuição do grupo de pesquisa NEP no processo de planejamento por cenários da biblioteca do Ipea” foi o tema apresentado pelo Ms. Jhonathan Divino Ferreira dos Santos, seguido pelo Ms. Marcos Aurélio Santiago Françoso que falou sobre o “Usos dos foresight”. O evento se encerrou com o Ms. Marcos Antonio Gomes Pena Junior comentando “A limitada racionalidade humana: razão prospectiva”, que manteve ainda mais das metades dos participantes até as 19hs de uma sexta-feira debatendo essas questões.

Segue link para acesso às apresentações:

Seja um apaixonado por foresight! Junte-se a esse time!

Elaine Marcial é Doutora em Ciência da informação e coordenadora do NEP-Mackenzie – Núcleo de Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Paixão nacional dando um show de estratégia


Não é a primeira vez que o futebol nos dá exemplo da importância da informação estratégica, também conhecida com inteligência competitiva, e do seu uso na formulação de uma estratégia sólida para o atingimento do sucesso. Para ganhar é preciso dedicação, capacitação, informação e estratégia, em geral de longo prazo. Vimos o show apresentado pela seleção alemã, ao ganhar a Copa do Mundo em 2014, como um exemplo que integra informação e estratégia, em especial uma estratégia de longo prazo.

Nesse contexto, destaco o jogo realizado no dia 13 de novembro, no Rio de Janeiro, entre Vasco e Flamengo que surpreendeu a todos. Uma estratégia inovadora, baseada em informação levou um time, considerado fraco, chegar ao um empate com o time favorito do campeonato brasileiro. O treinador do Vasco juntou conhecimento e informação com uma das grandes capacidades que o brasileiro tem de criar e de se adaptar, o que levou ao resultado que deixou ambas as torcidas perplexas e os apaixonados por futebol também. Informação + estratégia + inovação + adaptação é fórmula de sucesso.

Criatividade e adaptação são caracterizas essenciais para a sobrevivência e conquista de novos mercados nos dias de hoje altamente disruptivos. Mas isso não basta, há necessidade de muito conhecimento, informação e inovação permanente, inclusive inovação disruptiva, para ganhar mercado e ocupar posição de destaque no mundo dos negócios. Há também a necessidade de se formular estratégias, em sua maioria de longo prazo.

Vimos a Coreia sair de um país que vendia produtos de baixa qualidade na década de 1980 e a China na década de 1990, se tornarem grandes exportadoras de produtos com alto valor agregado. Entretanto, isso não ocorreu da noite para o dia, representou uma estratégia de mais de duas décadas.

Por outro lado, o Brasil, que já era na década de 1970, o país que ia para frente, se manteve basicamente como exportador de commodities. Sem uma estratégia de longo prazo clara, formulada com base na produção de informação estratégica, não sairá dessa condição.

Há a necessidade de escolhermos quais serão nossas opções estratégicas e a formulação de uma estratégia de longo prazo que auxilie a pavimentar esse caminho. Temos tanto que investir em inovação tecnológica quanto na formação de mão de obra qualificada para atuar nessas áreas priorizadas. É preciso também construir um ambiente propício para que a inovação ocorra e o mercado se desenvolva.

A China percebeu isso e mandou chineses para as melhores universidade do mundo realizarem pesquisa aplicada nas áreas considerada prioritárias. Nós fizemos isso na década de 1970 e início dos anos 1980. Por exemplo, a Embrapa fez grandes investimentos mandando seus pesquisadores estudarem nas melhores universidades do mundo, o que resultou na transformação do Brasil em “celeiro do mundo” e o cerrado em um dos maiores centros produtores de grãos do mundo, quando se acreditava que se tratar de áreas de baixa produtividade agrícola.

A falta de estratégia levou o Estado brasileiro a investir, no passado recente, em graduandos estudando no exterior, sem um direcionamento claro, e por conseguinte sem um retorno específico para o País como o verificado na China. Sem objetivos estratégicos claros e metas bem definidas a serem atingidas não se chega a lugar nenhum. Não se investe por que é bom, investe-se buscando retornos futuros claros e mensuráveis.

Como os recursos são escasso, temos que priorizar. Lembro que priorizar é escolher poucas áreas, de preferência que caibam na palma da mão, para as quais vamos fazer nossas apostas estratégicas, formular uma estratégia de longo prazo e investir em capacitação, ciência, tecnologia e inovação que coloquem nosso país em um novo patamar. 

Essa escolha deve ser pautada, na minha opinião, juntando dois tipos de informação: (1) a sobre o futuro, quais serão as demandas futuras, e (2) a lista de nossas competências essenciais. As apostas estratégicas devem ser o resultado da análise desses dois tipos de informações estratégicas, para que possamos, rapidamente, produzir retorno ao País. Vejam que a China fez isso no campo da produção de painéis solares: aproveitou o fato de dispor de terras raras em abundância e desenvolveu as competências necessárias para a transformação dessa matéria prima em produto com alto valor agregado. 

Juntar as duas na formulação da estratégia é chave, pois não adianta nada investirmos em uma competência que não será importante no futuro. Alem disso, sem uma estratégia de longo prazo não sairemos do voo de galinha e dos planos econômicos que não nos levarão ao desenvolvimento. Então eu pergunto: Quais são nossas competências essenciais que serão importantes no futuro? No que devemos investir? Colocar nossas fichas?

Seja um apaixonado por foresight e construa um futuro melhor!

Participe do II Encontro do Nep-Mackenzie que ocorrerá no dia 29 de novembro, a partir das 14:30 a Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (ver detalhes em: <http://elaine-marcial.blogspot.com/2019/11/ii-encontro-do-nep-mackenzie.html>).

Elaine Marcial é Doutora em Ciência da informação e coordenadora do NEP-Mackenzie – Núcleo de Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

II Encontro do NEP-Mackenzie


Os estudos prospectivos produzem informação valiosa sobre o futuro que nos ajudam a decidir melhor hoje, seja para auxiliar a tomada de decisão diária ou de planejamento de curto, médio e longo prazo. Nos libertam dos pontos cegos construídos no dia a dia e nos ajudam a enxergar além do que está estabelecido por nossos modelos mentais.

Entretanto, sem pesquisa e inovação qualquer área fica estagnada, parada no tempo. É preciso compreender melhor os fenômenos do por vir e como identificá-los a partir do hoje. Aprimorar e desenvolver métodos e modelos é chave para a produção de informação sobre o futuro que realmente contribua com o processo decisório. É nesse contexto que o NEP-Mackenzie foi criado e desenvolve seus trabalhos de pesquisa pura, aplicada e de desenvolvimento tecnológico, buscando, inclusive, parcerias com outras organizações de pesquisa.

Nesse contexto, convido a todos os interessados em estudos de futuro a participarem do II Encontro do NEP Mackenzie, que ocorrerá no dia 29 de novembro, a partir das 14:30, na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília - SGAS 906 Sul.

O Núcleo de Estudos Prospectivos tem por missão “Contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico no campo dos estudos de futuro em apoio à formulação de estratégias e políticas públicas” e neste II Encontro apresentará os resultados dos debates e pesquisas realizadas em 2019.

Conto com a presença de todos os “apaixonados por foresight”.

Venha participar dessa rede!

Seja um “Apaixonado por foresight” e melhore seu processo decisório hoje.
Elaine Marcial

II Encontro do NEP-Mackenzie

Data: 29 de novembro de 2019
Horário: 14:30 – 18:00
Local: Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília – SGAS 906 Conj A Bloco 1
Asa Sul, Brasília
Programação
14:30 – 15:00 – Abertura – Dra. Elaine Coutinho Marcial
                        Evolução do projeto Define lições aprendidas
15:00 – 15:20 – Planejamento das estatais no Brasil e perspectivas de utilização de cenários. Dr. Rodrigo Mendes Leal
15:20 – 15:50 – Plataforma de Ideação: um apoio ao planejamento por cenários – Dr. Hercules Antônio do Prado
15:50 – 16:10 – Competências para um cenarista – Dr. Marcello Jose Pio
16:10 – 16:30 – Coffee-Break
16:30 – 16:50 – O uso dos cenários para o planejamento estratégico de CT&I – Dr. Thomaz Fronzaglia
16:50 – 17:10 – A contribuição do grupo de pesquisa NEP no processo de planejamento por cenários da biblioteca do Ipea - Ms. Jhonathan Divino Ferreira dos Santos
17:10 – 17:30 – Usos dos forsight – Ms. Marcos Aurélio Santiago Françozo
17:30 – 17:50 – A limitada racionalidade humana: razão prospectiva: Ms. Marcos Antonio Gomes Pena Júnior
17:50 – 18:00 – Encerramento – Dra. Elaine Coutinho Marcial

sábado, 16 de novembro de 2019

Bioeconomia: Qual será o posicionamento estratégico do Brasil?


O agronegócio é o pensamento estratégico nacional. Um dos poucos ou talvez o único. O potencial brasileiro não se encontra apenas na produção agrícola, mas também na exploração de nossa biodiversidade. Sendo um país continental, abrigamos diversos biomas com um grande potência para alimentar a economia do futuro: a bioeconomia.
O termo, que apesar de existir há mais de 50 anos, ganhou projeção na última década, tendo sido incorporado, como prioritário, nas estratégias de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Suécia, Finlândia e União Europeia.
No Brasil, a bioeconomia tem estado presente no debate também há algum tempo. Foi objeto de cenarização na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 2016, durante a construção dos Cenários exploratórios para o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira, que apontavam sua importância. No cenário “Na crista da onda”, a bioeconomia associada ao protagonismo na geração de tecnologias de vanguarda e grandes possibilidades de inovação são forças que geram profunda mudança estrutural em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) nas cadeias agropecuárias até 2034. O país se torna protagonista na geração de produtos, tecnologias e serviços na fronteira do conhecimento e na sua implementação nas dimensões alimentícias e não alimentícias, com profunda diversificação da produção e das oportunidades para diferenciação dos produtos. Também apresenta resultados significativos na adição de valor ao longo dos diferentes elos das cadeias produtivas associadas, em particular biofármacos, bioinsumos e bioprodutos (Martha et al., 2016).
O tema retorna ao debate nas oficinas e na construção dos cenários para Brasil 2035, momento em que foram desenvolvidas cenas para bioeconomia em cada um dos quatro cenários construídos (Marcial, et al., 2017).
Em 2018, o Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e comunicação (MCITC), lançou o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioeconomia cujo objetivo é “promover o desenvolvimento científico, tecnológico e da inovação para superar os desafios e aproveitar as oportunidades apresentadas pela bioeconomia nacional, focando no desenvolvimento sustentável e na produção de benefícios sociais, econômicos e ambientais”. Em julho de 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), publicou a portaria que institui o Programa Bioeconomia Brasil[1].
O tema também foi foco do VII Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel, no início de novembro/2019, em Florianópolis. Ao tempo em que comemoravam o aumento da mistura do biodiesel ao diesel, levantavam a preocupação com o contigenciamento dos recursos destinados a pesquisa na área desde 2013, bem como a necessidade de desburocratização para ampliação do número de start ups na área. Sem recursos para pesquisa e sem a redução da burocracia a área teria dificuldade de evoluir.
Entretanto, essas iniciativa não caracterizam uma estratégia nacional para a bioeconomia, que alinhe as estratégias dos diversos agentes para transformar o país em um expoente na área. O economista polonês Christian Patermann, em reportagem publicada recentemente na revista Exame[2], sob o título “Um mundo mais verde,” alerta que “o Brasil deveria ter uma estratégia nacional de bioeconomia”. Nessa mesma reportagem o coordenador-geral de bioeconomia do MCTIC, afirma que “sofremos problemas sérios de governança”, ou seja, falta uma estratégia conjunta que alinhe e otimize os investimentos e iniciativas existentes no país. Há necessidade de alinhamento estratégico, que oriente, com visão estratégia de longo prazo, as decisões dos diversos agentes públicos e privados.
Esse é um exemplo, dentre outros, nos quais Brasil possui um grande potencial de desenvolvimento, mas que muitas vezes perde o “bonde da história” pela falta de uma estratégia de longo prazo que alinhe os investimentos e iniciativas no país.
A questão que se levanta é: por quanto tempo o país irá permanecer sem uma estratégia de longo prazo? E, que áreas serão priorizadas? Desde que a antiga Secretária de Planejamento da Presidência da Repúbica foi extinta que o país padece sem um rumo de longo prazo. Preso a estratégias de curto prazo dos governo que entram e saem, repleto de solução de continuidade em projetos estratégicos, vivendo em voos de galinha.
O Brasil possui muito mais condições de desenvolve-se e ser líder em bioeconomia do que qualquer um dos países citados: é um país tropical, com mais de uma safra ao ano, possui água em abundancia e grandes extensões de terra cultiváveis para suprir de matéria prima essa economia do futuro, além de uma biodiversidade fantástica de despertar inveja e cobiça em qualquer país no mundo. Mas precizamos (precisamos) mais do que isso, é necessário formular uma estratégia, realizar escolhas e investir em capacitação e PD&I. Precisamos priorizar! Concentrar esforços! E para tanto, é necessário olhar para as nossa competências essências e para o futuro.
A bioeconomia poderia dar mote a priorização dessas áreas estratégicas, pois dialoga com o nosso pensamento estratégico, com nossa competência essencial e com o futuro, mais limpo e sustentável. Também poderá gerar muitos postos de trabalho.
O campo da bioeconomia é enorme, e se amplia quando associado a bio e a nanotecnologia, ofertando novos materiais limpos, recicláveis e renováveis. Além disso, o país dispõem da Embrapa, que poderá ser utilizada como peça estratégica chave em todo esse processo, pois já possui, inclusive, pesquisas nessa área. Falta a definição de prioridades para a concentração de investimento. Falta uma estratégia e vontade política.
Definir que áreas da bioeconomia deverão ser priorizadas é o trabalho que a formulação de uma estratégia de longo prazo teria a responsabilidade de indicar, para que se priorize os investimentos em PD&I, capacitação e dos agentes econômicos que colocarão o Brasil na posição de país desenvolvido que há muito merece ocupar.
Elaine Marcial é Doutora em Ciência da informação e coordenadora do NEP-Mackenzie – Núcleo de Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação. Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioeconomia. Brasília, DF: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2018.
MARTHA JUNIOR, G. B.; PENA JUNIOR, M. A. G.; MARCIAL, E. C.; CASTANHEIRA NETO, F.; TORRES, L. A.; NOGUEIRA, V. G. de C.; CHERVENSKI, V. M. B.; SILVA, G. T. S. da; WOSGRAU, A. C. Cenários exploratórios para o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira: síntese. Braília: Embrapa, 2016. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/156492/1/AGROPENSA-cenarios-exploratorios.pdf>. Acesso em: 14 de nov. 2019.
Marcial et al. Brasil 2035: cenários para o desenvolvimento. Brasília: Ipea/Assecor, 2017. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=30156>. Acesso em: 14 nov. 2019.



[2] Exame – Especial guia Exame de sutentabildiade: A eocnomia do futuro. São Paulo: Exame, Edição 1197, ano 53, nº 21, 13 de nov. 2019.