terça-feira, 15 de junho de 2021

O Brasil no programa Artemis da Nasa

Se pararmos para pensar estrategicamente sobre o futuro da humanidade, ela passa, no meu ver, pela descoberta de energia abundante e barata e pela conquista do espaço. Até para conquistarmos o espaço teremos que ter energia em abundância.

Hoje, o Brasil deu um passo importante na nova corrida espacial, que integra a iniciativa publica e privada, ao assinar a parceira com a Agência Espacial Americana (Nasa), que contempla a sua participação no programa Artemis. Tal programa tem por objetivo levar a primeira mulher e o próximo homem à Lua até 2024, bem como desenvolver tecnologias para enviar a primeira missão humana à Marte.

O plano da Nasa é duplo: alcançar a meta de um pouso humano até 2024 enquanto trabalha, simultaneamente, para a exploração lunar sustentável até o final da década de 2020, datas consideradas ambiciosas e que deverão acelerar as diversas inciativas que ocorrem em paralelo.

O programa Artemis foca no retorno à Lua a partir de 2021. A construção de elementos sustentáveis na Lua e ao seu redor permitirão o desenvolvimento mais rápido de novas investigações científicas e experimentos tecnológicos, que conjugam atividades robóticas e humanas.

Da mesma forma que a Estação Espacial Internacional criou as condições para avançarmos para a Lua, o estabelecimento de espaços habitados na Lua fornecerá as condições para a exploração e conquista de Marte.

Plagiando Neil Armstrong e dado um toque brasileiro: "Um pequeno passo de alguns brasileiros, mas um grande salto para o país." Espero que desta vez o governo brasileiro consiga manter o acordo e cumprir com suas obrigações e responsabilidades no acordo de cooperação, não repetindo o ocorrido com o frustrado acordo firmado também com a Nasa, em 1997, de participação no consórcio de construção da International Space Station.

O acordo visava a produção de componentes para a referida Estação Espacial e, em troca, poder ter acesso a ela. Tal acordo resultou na ida do primeiro astronauta brasileiro, o ministro Marcos Pontes, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Entretanto, o Brasil não cumpriu o referido acordo e ficou fora do projeto. Após quase dez anos de participação, o país deixou de ser considerado na lista de fabricantes da base orbital.

É esperado que com o novo acordo firmado entre a Nasa e o MCTI, junto com a Agência Espacial Brasileira (AEB), haja uma aceleração no programa espacial brasileiro. Essa nova parceria abre um mundo de possibilidade no campo do desenvolvimento científico e tecnológico para o nosso país, com a possível geração de diversos spin-off1 para a nossa sociedade. Também abre espaço para que empresas e startups brasileiras possam se tornar fornecedoras de produtos e serviços tanto para o processo de conquista da Lua quanto o de Marte, abrindo novas fronteiras para o comércio exterior brasileiro.

Convido a todos para uma reflexão estratégica de médio e longo prazo:

·       Quais serão os principais desenvolvimentos científicos e tecnológicos que serão gerados durante o programa que o Brasil terá acesso?

·       Quais os possíveis spin-off que esse acordo poderá gerar para sociedade brasileira? Quais os principais campos que serão beneficiados?

·       O espaço fará parte do comércio exterior brasileiro? Seremos fornecedores para a Lua e para Marte?

·       A participação no programa Artemis irá gerar emprego e renda para o Brasil?

·       Teremos brasileiros vivendo/trabalhando na Lua? E em Marte?

·       Teremos uma estação de pesquisa espacial na Lua, com temos na Antártida? E em Marte?

 

1 A Nasa frequentemente divulga os spin-off do programa espacial americano.

 

Referência

Para obter informações sobre a parceria do Brasil com a Nasa – Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/educacao-e-pesquisa/2020/12/brasil-oficializa-participacao-no-programa-artemis-da-nasa

Para obter mais informações sobre o projeto Artemis da Nasa – Disponível em:

https://www.nasa.gov/specials/artemis/

https://www.nasa.gov/topics/moon-to-mars

Para mais informações sobre os spin-off do programa espacial americano. – Disponível em:

https://spinoff.nasa.gov/

https://www.kennedyspacecenter.com/blog/nasa-spinoffs

 

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Cenários Globais 2035 da OCDE

 


Hoje, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ou Econômico (OCDE) lançou os últimos cenário mundiais desenvolvidos por eles: Global Scenarios 2035: Exploring implications for the future of global collaborations and the OECD. Emoram apresentados e debatidos três cenários, ou seja. Essas três possiblidades de futuro foram construídas com base em seis forças de mudanças globais: a interconectividade digital além das fronteiras; a eficácia e as alianças de estados; a influência de atores não estatais; mudanças em valor e valores; gestão de recursos para a economia digital e verde; riscos comuns para a humanidade.

Reflexão e debates profundos desses cenários merecem ser realizados no nosso país, visto que os desafios apresentados por eles são muito maiores do que as oportunidades. Desafios esses para os países, para o mundo e para a humanidade.

Apesar dos cenários não serem previsões, as possibilidades de futuro apresentadas nos alertam que podemos estar caminhando para momentos difíceis da humanidade e, para evitarmos que esses cenários aconteçam, teremos que olhar fora da caixa e abrir mão de algumas crenças associadas a amarras do passado para podermos construir um futuro diferente. Temos que nos conscientizar que juntos seremos melhor e iremos mais longe. Está em nossas mãos construir um futuro melhor.

A síntese desses três cenários são apresentados a seguir.



Mundo multitrack
– o mundo seria dividido em cinco clusters separados. A dissociação digital levou a uma proliferação de ecossistemas concorrentes que se solidificaram como aglomerados de países. As características desses possível mundo futuro: infraestruturas digitais separadas; diferentes valores e definições de bem-estar; o comércio e a mobilidade são altos dentro dos clusters, mas não entre eles; atores não estatais (por exemplo, empresas) limitados a clusters.

“Em 2035, o mundo está funcionando em vário clusters separados. Diferentes sistemas e padrões em diferentes partes do mundo se solidificaram, criando vários grupos paralelos de estados. As atitudes em relação aos principais determinantes do bem-estar, como desigualdade, liberdade de expressão e vigilância são altamente divergentes entre os grupos. Os clusters têm infraestruturas digitais separadas e atores corporativos amplamente equivalentes, que se adaptaram a padrões regulatórios e culturais exclusivos. Poucas empresas ou organizações da sociedade civil são capazes de operar com sucesso em vários clusters. O afastamento em larga escala da globalização e da desconfiança entre os clusters levou à diminuição do interesse e do incentivo à cooperação internacional. Este é um mundo de diversidade, em vez de universalidade, onde as ideias sobre o que constituem as melhores políticas, melhores práticas e como medir ambas variam significativamente com base nos sistemas de valores individuais de cada cluster.” (OECD, 2021).


Mundo Virtual
– A maior parte da atividade social e econômica está no metaverso[1]. O teletrabalho, a realidade virtual imersiva (VR) e a interoperabilidade trouxeram cada vez mais vida ao espaço virtual. As características desse possível mundo são: tremendo poder corporativo; negociações complexas sobre direitos e liberdades digitais; a infraestrutura digital impõem a desigualdade entre os estados; qualidade de vida em grande parte determinada pelo que acontece em VR.

“Bem-vindo ao metaverso de 2035, uma plataforma virtual interconectada onde a maioria de todas as interações humanas, para negócios ou lazer, agora acontecem. As empresas de tecnologia fornecem o hardware e o software, competindo para fornecer aos clientes novos recursos e experiências. Os estados controlam quais hardwares e liberdades criativas são disponibilizados para seus cidadãos no universo virtual por meio de medidas regulatórias, equilibrando os requisitos de segurança do estado com o desejo de estar na vanguarda da tecnologia. Nesse cenário, a diplomacia é mais importante e complexa do que nunca: as relações entre estados, empresas de plataforma e usuários (como clientes e criadores) precisam ser gerenciadas com delicadeza.” (OECD, 2021).


Mundo Vulnerável
– Novos riscos existenciais requerem cooperação sem precedentes. Transição ambiental impulsionada pela tecnologia e alto crescimento econômico, apesar do multilateralismo vacilante. As características desse possível mundo futuro são: inovação nas emissões com acelerado poder da tecnologia; a humanidade está enfrentando múltiplos riscos existenciais; alta produtividade, mas extrema desigualdade; colaboração mais sofisticada é necessária.

“O ano é 2035 e a humanidade está à beira do precipício. A inovação tecnológica avançou mais rápido do que o esperado, trazendo uma infinidade de benefícios e, ao mesmo tempo, gerando riscos existenciais que exigem colaboração global urgente. Avanços importantes permitiram reduções dramáticas nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), mas não impediram níveis perigosos de degradação ambiental em outras áreas. A inteligência artificial, a biologia sintética e o desenvolvimento do espaço avançaram rapidamente, criando enormes benefícios de produtividade, mas também vulnerabilidades que podem ser catastróficas para a civilização. A produção automatizada criou bens e serviços suficientes para atender às necessidades materiais básicas, mas levou a desigualdades extremas e concentrações de poder que estão corroendo as bases da democracia. Nesse contexto, as instituições multilaterais enfrentam questões fundamentais sobre seu papel na salvaguarda da humanidade contra o poder sem precedentes que possui de destruir seu próprio potencial.” (OECD, 2021).

Mais informações sobre o estudo de futuro realizado pela OCDE estão disponíveis em: https://search.oecd.org/economy/global-scenarios-2035-df7ebc33-en.htm.

Referência

OECD (2021). Global Scenarios 2035: Exploring implication for the future of global collaboration and the OECD. Paris: OECD: http://doi.org/10.1787/df7ebc33-en.



[1] Metaverso: terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais, não necessariamente de imersão, ou seja, que desloquem os sentidos de uma pessoa para esta realidade virtual. 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Como será o amanhã?


Em geral, pouca importância é dada aos movimentos sociodemográficos apesar dos alertas de Peter Drucker, há mais de duas décadas. Drucker dizia que para enxergarmos longe deveríamos iniciar analisando e compreendendo os lentos movimentos sociodemográficos, depois agregar a nossa análise os movimentos políticos e, por fim, os avanços tecnológicos. Para ele, todo o resto era resultado dessas três forças, sendo a sociodemográfica a preponderante.

Movimentos sociodemográficos são lentos, mas possuem grande força de mudança e portam informação valiosa de como o futuro será. São de difícil reversão, pois se consolidam lentamente por não encontrarem resistência, o que os torna cada dia mais sólidos. A falta de resistência ocorre porque esses movimentos silenciosos passam desapercebidos. O mundo estabelecido nos deixa cegos, nos impedindo de enxergar as lentas mudanças.

O desenvolvimento de pontos cegos, até em pesquisadores da área, impedem que esses sinais portadores de futuro sejam analisados corretamente. Quando os percebemos já estão consolidados e é tarde demais para contê-los. Sua ruptura demandaria um grande esforço e, caso ocorresse, somente sentiríamos seus efeitos décadas depois. 

Ao nos deparamos com eventos inusitados, nos surpreendemos, pois não conseguimos perceber o que realmente ocorre ao nosso redor. O que presenciamos no dia 1º de maio de 2021, foi um desses tipos de eventos que portam o futuro: manifestações verde e amarela por todo o Brasil, mais uma vez orquestradas pelas redes sociais.

Quem poderia, um dia, imaginar que iríamos presenciar o “Dia do Trabalho” repleto de cidadãos nas ruas em uma manifestação reivindicatória, empunhando nossa bandeira e cantando o Hino Nacional? Levando em conta que ainda estamos em pandemia e que se tratavam, em sua maior parte, de famílias, o volume de pessoas foi muito grande nas ruas. Esta contestação não denota o apoio a aglomerações em tempos de pandemia. Há de se considerar seu impacto no sistema de saúde e na sociedade brasileira. A reflexão foca especificamente na ocorrência dessas movimentações em dia tão simbólico. Até porque há um outro lado, aqueles muitos que não aderiram ao movimento presencial, mas o apoiaram por meio das redes sociais, divulgando vídeos, imagens e postagens do que ocorria em todo o Brasil.

Outras manifestações populares semelhantes já foram presenciadas em diferentes momentos passados e com muito maior intensidade, mas o simbolismo embutido nesta última foi enorme: era o Dia do Trabalho. Essa comemoração surgiu após os eventos de paralização ocorridos em Chicago, em 1886, realizados por trabalhadores norte-americanos reivindicando melhores condições de trabalho. O movimento foi repetido no ano seguinte, em mesma data, seguido por trabalhadores europeus, transformando esse dia em uma homenagem àqueles que lutaram por melhores condições de trabalho.

Esse movimento, que se tornou mundial, sempre foi liderado por partidos de esquerda e sindicatos, que levantavam bandeiras associadas a reivindicações ou a conquistas trabalhistas ao redor do mundo. Isso sempre fez muito sentido, pois representavam aqueles que possuíam uma história de luta justa em prol dos trabalhadores.

Entretanto, pela primeira vez em toda a história do nosso país, os movimentos do último “1º de maio” foram liderados pela sociedade, representada pela presença das famílias brasileiras, vestida de verde e amarelo, tomando o espaço das velhas lideranças de esquerda. Movimento no qual a bandeira nacional tomou o espaço das comumente bandeiras vermelhas que marcavam essas comemorações.

Esse não foi um movimento isolado, há quase duas décadas que a mudança vem ocorrendo, seguida por manifestações com esse perfil. Movimentos lentos, mas permanentes, que ganham força e nem a pandemia os conteve. Caracterizam-se por manifestações espontâneas, pacíficas e genuinamente cíveis. Esses eventos têm sido negligenciados pela impressa e carecem de uma análise sociológica profunda da mudança em andamento.

Iniciado com o escândalo do “Mensalão”, denunciado pelo então Deputado Federal Roberto Jefferson em 2005, culminou com as grandes manifestações de 2013 contra a abusiva corrupção, outro evento inusitado brasileiro – não pelo fato do volume de pessoas nas ruas vestidas com as cores nacionais, mas pela falta da presença das velhas lideranças partidárias a frente desses movimentos de massa brasileiros. O desenrolar da operação “Lava-jato” reforçou esse movimento de mudança, gerando mais eventos inusitados, como a prisão de grandes nomes brasileiros associados ao crime do “colarinho branco”. A eleição para Presidente da República de Jair Bolsonaro e as reiteradas manifestações ocorridas durante o seu mandato fazem parte desse processo de mudança e culminaram com o evento mais simbólico de todos: o ocorrido no Dia do Trabalho.

Eventos inusitados, de pequena ou grande magnitudes, nos surpreendem a todo instante, nos lembrando da imprevisibilidade associada ao futuro. Na maioria das vezes, isso ocorre, pois não dedicamos tempo suficiente para a identificação, análise e avaliação de consequências futuras desses sinais. O nosso dia a dia corrido nos impede de refletirmos adequadamente sobre fatos que portam o futuro e podem representar grandes sinais de mudança.

Sendo assim, eu os convido à reflexão: O que esse evento inusitado significa e sinaliza, considerando um mundo em transformação, repleto por inovações disruptivas? Que mudanças estão em andamento e quais serão suas consequências? Lideranças políticas irão surgir pautadas em uma nova agenda de proteção ao trabalhador da nova era? O movimento tipicamente nacionalista levará o país para um novo patamar de prosperidade, ao nos sensibilizar que somos todos brasileiros e unidos seremos mais fortes, ou nos levará a uma ruptura como nação, ao aumentar a polarização, nos deixando estagnados frente aos avanços tecnológicos mundiais em movimento? Qual será o destino do Estado Brasileiro, representado pelos Três Poderes e seus entes federados? Sairá fortalecido pela necessária mudança ou se desmantelará?

Certamente são inúmeras as perguntas sem respostas. Isso porque o futuro não acontece, ele é construído pelas decisões tomadas pelos atores, pelo resultado de suas parcerias estratégicas e investimentos, muitos movidos por sonhos e desejos às vezes não explicitados. O futuro não é construído somente pelos grandes atores, mas por todos nós, que em nossos microcosmos construímos o nosso futuro e o do nosso país. Somos todos agentes de mudança e responsáveis pelo porvir.


quarta-feira, 7 de abril de 2021

Acorda Brasil


Hoje pela amanhã assistindo, na CNN, uma entrevista com a Dra. Mariângela Simão, vice-diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS) da área de medicamentos, vacinas e produtos farmacêutico, me fez refletir sobre quando o nosso país vai acordar para pensar e agir estrategicamente de forma antecipativa.

Nessa entrevista a  Vice-diretora da OMS explicava as dificuldades enfrentadas na distribuição de vacinas contra a Covid ao redor do mundo, por meio do Covax Facility – consórcio criado pela OMS, do qual o Brasil é um dos participantes (https://bit.ly/31UgwIh).

A Dra. Mariângela informou que alguns países como os Estados Unidos, a Índia, e outros países europeus somente vão disponibilizar o imunizante após terem vacinado sua população. O “excessivo nacionalismo”, palavras utilizadas pela entrevistada, no meu entender, é plenamente compreensível frente ao estrago social e econômico que uma pandemia causa em um país. Não estou analisando o mérito do comportamento desses países, nem pretendo entrar no debate de qual seria o comportamento ético adequado frente a humanidade, por isso existem organizações internacionais, para pensar no todo. Estou apenas mostrando, nas palavras de Nelson Rodrigues “a vida como ela é”: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

As palavras dela me fizeram lembrar dos cenários que construímos em 2006 para a influenza aviária. Um dos pontos levantados foi justamente a alta probabilidade de falta de medicamento, como por exemplo do antiviral Tamiflu, ou de EPIs, não por falta de recursos para adquiri-los, mas porque os países iriam primeiro atender a sua população para depois exportar para o outros.

Essa não foi a primeira pandemia que a humanidade enfrentou e não vai ser a última. Frequentemente temos que enfrentar surtos de doenças como as do H1N1 ou da dengue, provavelmente iremos nos deparar com outras novas doenças que assolarão uma sociedade que vive aglomerada em cidades. Sendo assim, temos que ter clareza de quais os insumos estratégicos de saúde que o Brasil tem que ser capaz de produzir, em curto espaço de tempo. Desenvolver competências, inclusive de pesquisa e desenvolvimento, que garantam o desenvolvimento e a produção em larga escala e a baixos custos, de forma ágil.

Que essa pandemia faça o país acordar e tomar consciência de que não podemos ficar nas mãos de um único fornecedor, muito menos de fornecedores estrangeiros para insumos estratégicos, independentemente da área.

Se uma questão for considerada estratégica para o país, termos que ter a competência para desenvolver aqui no Brasil, de forma eficiente, a produção desses insumos e produtos estratégicos. Planos de contingência devem estar prontos para serem acionados ao surgimento de eventos inesperados. Temos que parar de apagar incêndios e planejar com antecedência, afinal, competências não são desenvolvidas da noite para o dia.

Temos que ter essa lista de quais são esses insumos, produtos e competências estratégicas, em especial, as que serão demandas no futuro, e investir nesse desenvolvimento.

Mas fico pensando... Já sabemos quais são os insumos, produtos e competências estratégicas? Se sabemos, por que não nos preparamos para acontecimentos adversos? Onde estão os planos de contingência? Por que o desenvolvimento dessas competências não são incentivada? 

Acorda Brasil!

segunda-feira, 15 de março de 2021

Reflexões prospectivas - Compartilhando conhecimento com a sociedade

 


Compartilho o link para o acesso a edição especial da Revista BSBMACK que conta com 12 artigos de opinião sobre temas ligados ao foresight e ao planejamento por cenários. 

Lá vocês poderão encontrar artigos que tratam do tema tanto na ótica filosófica e científica, quanto na aplicada, trazendo a ciência para mais próximo do nosso dia a dia.

Esta é uma produção especial dos pesquisadores do NEP-Mackenzie, compartilhando conhecimento com a sociedade.

Boa leitura!

Disponível em: https://bit.ly/3kBpanE

Resultados do III ENEP 2020


Nos dias 2 e 3 de março de 2021, realizamos o III ENEP – Encontro Anual do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos do NEP-Mackenzie.

Os resultados apresentados alternam debates sobre questões filosófica, científicas e casos práticos da pesquisa e da atividade do foresight. Convidamos todos a assistirem os vídeos do evento.


O vídeo do primeiro dia do Encontro está disponível e conta com a participação do Dr. Ricardo Castro (Membro Associado, Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center-EPSC, o think tank interno da Comissão Europeia). Ele nos brindou com uma excelente apresentação sobre como o foresight está evoluindo na União Europeia. Também aborda a minha apresentação e do Dr. Rodrigo sobre as lições aprendidas com a nossa participação no encontro anual de foresight da OCDE. Segue o link para o primeiro dia:

https://www.youtube.com/watch?v=MiIDhXV05T0

Já no segundo dia do III ENEP, apresentamos as principais lições aprendidas com as pesquisas desenvolvidas no âmbito do NEP-Mackenzie, sejam elas coletivas ou individuais. Trazemos questões teóricas e práticas que contribuem com o aprimoramento do uso do foresight nas organizações no apoio à formulação de estratégia e a tomada de decisão. Essas apresentações podem ser assistidas pelo link a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=KqZjx5hCoY0&ab_channel=MackenzieBras%C3%ADlia

Agradecemos a todos que prestigiaram o evento, e convidamos a quem não pode comparecer a assisti-lo agora.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

III ENEP - NEP-Mackenzie realiza evento para compartilhar resultados de pesquisas sobre Estudos de Futuro

Compartilho o release no III ENEP. Nele vocês vão poder obter informações sobre a programação do evento e como acompanhar. Aguardo todos lá. Elaine Marcial

"Gratuito e com transmissão aberta pelo canal do Mackenzie Brasília no youtube, III Encontro Anual do NEP-Mackenzie inaugura ciclo de trabalhos do grupo, em 2021, com a apresentação de dados relevantes registrados após investigações iniciadas ano passado

A terceira edição do Encontro Anual do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (NEP-Mackenzie Brasília) - ENEP - está marcada para os dias 2 e 3 de março, em formato on-line, com transmissão aberta e gratuita pelo canal oficial da Faculdade no youtube (youtube.com/mackenziebrasilia). O evento marca o reinício dos trabalhos do grupo, com a apresentação do andamento das pesquisas iniciadas ou dos trabalhos concluídos pelo NEP, em 2020. A ideia é compartilhar com a sociedade os avanços em pesquisa realizados pelo Grupo de pesquisa durante o ano e, assim, divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro.

O ENEP ocorrerá nas tardes dos dias 2 e 3 de março, das 15h30 às 18h, com programação que contempla debates sobre as “Competências essenciais para construção e planejamento de cenário”, o “Futuro do Trabalho no Brasil em 2030”, “A prospectiva e o uso da inteligência coletiva para uma gestão pública por governança”, as “Perspectivas filosóficas sobre estudos de futuro” e outros assuntos descritos no serviço deste texto. 

A abertura do Encontro terá a participação de Ricardo Borges de Castro, Membro Associado da Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center (EPSC), o think tank interno da Comissão Europeia. Conduzirão a solenidade o professor Domingos Spezia, vice-diretor Acadêmico do Mackenzie Brasília e a professora Elaine Marcial, coordenadora do NEP-Mackenzie e da Pós-Graduação em Cenários Prospectivos Inteligência, Cenários e Gestão Estratégica.

O NEP-Mackenzie foi criado em julho de 2018 e tem como objetivo realizar e divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro. A  pesquisa neste campo pretende, entre outras questões, organizar e assegurar um processo decisório mais assertivo - contribuindo para o sucesso da empresa ou do órgão público frente a cenários políticos, econômicos e sociais impactados por algum acontecimento relevante na atual conjuntura. 

Tanto a construção de cenários quanto a produção de inteligência são atividades altamente especializadas e necessitam do desenvolvimento de competências para que produzam bons resultados. “O NEP tem dado contribuições importantes ao governo, a empresas e a pesquisas em outros segmentos acadêmicos. Ano passado, lançamos o livro Cenários Pós-covid 19, possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil e dois encartes importantes, discutindo nossas pesquisas (Revista 1|Revista 2). No ENEP iremos apresentar o que fizemos em 2020 e compartilhar nossos resultados, buscando, sempre, favorecer a ciência, em tempos tão complexos”, explicou a professora Elaine.

 

III ENEP – Encontro Anual do NEP-Mackenzie

Programação e links para assistir

 

02/03/2021 – terça-feira

https://youtu.be/MiIDhXV05T0

 

15:30 – 15:50 – Abertura

Prof. Domingos Sávio Spezia – Coordenador Acadêmico

Dra. Elaine Marcial, Coordenadora do NEP-Mackenzie

 

15:50 – 16:50 – Palestras de abertura: Estudos de futuro: potencialidades e desafios

Dr. Ricardo Borges de Castro (Membro Associado, Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center -EPSC, o think tank interno da Comissão Europeia)

 

16:50 – 17:30 – Com engajar diversas instituições para a prática do foresight? Reflexões a partir do evento anual da OCDE.

Dra. Elaine Marcial

Dr. Rodrigo Leal

 

03/03/2021 – quarta-feira

https://youtu.be/KqZjx5hCoY0

 

15:30 – 15:50 Dra. Elaine Marcial – Resultados do NEP-Mackenzie 2020

15:50 – 16:00 Dr. Marcello Pio – Competências essenciais para construção e planejamento por cenário

16:00 – 16:10 Ms. Marcos Pena – Perspectivas filosóficas sobre estudos de futuro

16:10 – 16:20 Dr. Thomaz Frongalia – Avaliação de cenários prospectivos

16:20 – 16:30 Dr. Rodrigo Mendes Leal – Cenários Prospectivos, Estratégia e Gestão de Riscos

16:30– 16:40  Ms. Marcos Françozo – Usos da prospectiva na definição da estratégia: a experiência da União Europeia e do Reino Unido

16:40 – 16:50 Ms. Livia Torres – Observatório Solos – Desafios na consolidação de uma instância prospectiva numa unidade de pesquisa da Embrapa

16:50– 17:00  Ms Carolina Lopes –Futuro do Trabalho no Brasil em 2030

17:00 – 17:10 Ms. Ariel Cecilio Garces Pares – A prospectiva e o uso da inteligência coletiva para uma gestão pública por governança

17:10 – 17:30 Perguntas, debate e encerramento (Elaine Moderadora)


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Memória institucional em risco: fatos portadores de futuro

Compartilho com todos a pesquisa desenvolvida por mim e pela pesquisadora Josinas, em trabalho realizado no Ipea, sobre o risco de perda da memória institucional do nosso País. O trabalho traz o levantamento de diversas sementes de futuro, no horizonte de 2050, que vale a reflexão de todos, em especial dos gestores públicos.

Destaco que a reflexão deve ser realizada por todos, pois esse processo deve estar acontecendo em outras instituições, seja elas públicas ou privadas também. Lembro que um país sem passado é um país sem futuro.

Encaminho o resumo do artigo e link para ele.

Prolifera-se, nos órgãos da Administração Pública Federal a divulgação da informação produzida em formato digitais, em sua maioria armazenadas nos sites das instituições. O estudo oferece uma reflexão sobre o risco da perda da  memória institucional no curto, médio e longo prazo. O objetivo da pesquisa é apresentar o levantamento e as justificativas das principais tendências, incertezas e possíveis rupturas relacionadas à preservação da memória institucional da Administração Pública Federal até 2050. A pesquisa tem caráter descritivo e qualitativo, cujo método utilizado foi o levantamento bibliográfico, documental associado a levantamentos realizados junto a órgãos públicos mediante roteiro de entrevista. Foram identificadas e justificadas 32 sementes de futuro, das quais 16 referem-se a tendências, 11 são incertezas e quatro são possíveis rupturas. A principal conclusão é que a memória institucional da Administração Pública Federal, em especial em Brasília, encontra-se em risco, configurando-se como uma megatendência. Considera-se a formulação de uma política de informação voltada para sua gestão e preservação, em especial a digital, associada um protagonismo profissional do bibliotecário, atuando frente à preservação e à gestão da informação digital. Essas medidas seriam rupturas que minimizariam essa perda.

Segue link do artigo:

https://periodicos.unb.br/index.php/RICI/article/view/31252/28750

MARCIAL, Elaine, VIEIRA, Josina da Silva. Memória institucional em risco. Revista Ibero-americana de Ciência da Informação, v. 14 n. 1, p. 1-21, 2021: https://doi.org/10.26512/rici.v14.n1.2021.31252

Boa leitura!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Eu e o Covid: a importância da estratégia na vida das pessoas


Com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil e o fechamento generalizado da economia ocorrido em março, o Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie desenvolveu cenários para o período pós-Covid-19 (https://bit.ly/2VTRWUQ).

O estudo me alertou em relação a politização da saúde no país e o perigo desse movimento. Um tratamento equivocado poderia levar ao agravamento da doença, ainda mais no meu caso por ser asmática. Nesse contexto, passei a estudar a doença, pois sem informação não é possível tomar decisões adequadas.

Como em qualquer processo de formulação de estratégia é necessário conhecer a si mesmo, seus pontos fortes e fracos (no caso, como está a sua saúde), seu “inimigo” (no caso o coronavírus ) e o ambiente em sua volta. O levantamento dessas informações é chave. Lembro que somos diferentes e cada um terá que identificar suas vulnerabilidades e tratá-las.

Não sou da área de saúde, mas minha principal competência, além de pesquisadora, é a de produção de informação estratégica e utilizei tal competência a meu favor. Procurei levantar o máximo de informação sobre a doença e tratamentos existentes para decidir qual seria a estratégia a ser adotada contra a Covid-19 ,caso me deparasse com o vírus.

Após analisar os dados e entrevistar vários médicos de diferentes áreas de atuação, sendo muitos da frente de batalha, fiz minha escolha: seguir o protocolo de Madri e fortalecer meu organismo para enfrentar a doença quando ela chegasse: alimentação saudável, exercícios físicos diários e reforço vitamínico – elementos básicos para o fortalecimento do organismo e da imunidade.

Faltava escolher o médico. Queria alguém que estivesse disposto a seguir o protocolo de Madri. O problema é que muitos médicos, apesar de confidenciarem que o utilizariam caso fossem acometidos pela doença, não o prescreveriam, pois não havia indicação nem comprovação científica para seu uso. Finalmente, encontrei um médico disposto a seguir o protocolo de Madri. Ele me submeteu a uma série de exames para verificar como estava a minha saúde e se havia alguma deficiência. Segui as orientações dele, que dosou as vitaminas que eu já estava tomando, acrescentou outras, bem como o uso da invermectina de forma preventiva. Afinal de contas, não basta planejar é necessário executar a estratégia formulada.

Apesar de todos os cuidados e de estar “em casa” durante todo o período, pois comprava tudo a distância, saia apenas para fazer as caminhadas diárias e mais recentemente para fazer os exames médicos – para ter um diagnóstico da minha saúde – em meado de novembro a doença atingiu o meu lar. Entretanto, eu estava preparada. A estratégia traçada foi executar, de forma rápida e precisa. O médico entrou rapidamente com a medicação da primeira fase e, apesar de eu fazer parte do grupo de riscos, os sintomas foram leves e duraram poucos dias. Não precisei entrar com as medicações indicada para a segunda fase.

Os cuidados durante a doença também foram importantes: isolamento, repouso, alimentação de qualidade e muito líquido. Esses elementos junto com os medicamentos são chave. O isolamento, além de evitar a contaminação de terceiros, evita o recebimento de nova carga viral, o que pode levar ao agravamento do quadro. O uso das vitaminas e suplementos alimentares ajudam meu organismo, pois não sentia fome. No início, não conseguia comer, pois o cheiro me deixava enjoada e depois que perdi o olfato, mal conseguia comer. Mesmo tomando suplemento alimentar emagreci três quilos em duas semanas.

Eu já possuía até um plano de contingência, caso eu tivesse que ser internada. Para toda estratégia, você tem que ter o seu plano de contingência: e se?

Muitas pessoas sabem e praticam em suas organizações a formulação de estratégia ou o planejamento estratégico e esquecem de fazer isso para suas vidas. Entretanto, o uso dessa metodologia na nossa vida pessoal pode ser decisivo, com esse exemplo que compartilho.

Quando não temos uma estratégia para a nossa vida, passamos a fazer parte da estratégia de alguém. Perdemos as rédeas de nossa vida que passam a ser conduzida pelo acaso ou pela estratégia de terceiros. Nesse contexto, convido-o a ser um construtor do futuro, de estar no comando de sua vida. Lembro que para tanto você terá que investir um tempo para produzir informação que aumente o seu conhecimento sobre si mesmo, sobre o “inimigo” e sobre o ambiente no qual está inserido. Sem informação de qualidade não há boa decisão. Como somos diferentes, cada um terá que encontrar o seu caminho.

Se você ainda não contraiu a doença, formule sua estratégia, pois mais cedo ou mais tarde você poderá se deparar com ela e, estando preparado, será muito mais fácil passar por ela. Lembre-se que o vírus não morre, ele está no ambiente e não vai ser só ficando em casa que você vai estar protegido. Você poderá encontrá-lo até quando sair para tomar a vacina.

Resolvi compartilhar minha história, pois ela pode servir de inspiração para outras pessoas que se esquecem da importância da formulação de uma estratégia e sua execução para a suas vidas pessoais. O Covid-19 é um exemplo, mas temos que nos posicionar como condutores da nossa vida, sendo assim:

Seja um construtor do seu futuro!

 

1 A Dra. Elaine Marcial é coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie, especialista em planejamento por cenários e inteligência competitiva.