segunda-feira, 4 de maio de 2020

Cenários pós-Covid-19: possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil


Avaliação estratégica

O projeto de construção de cenários para o ambiente pós-covid-19 chega a sua etapa final. 
Após a identificação das incertezas críticas, a lógica dos cenários foi construída tomando como base a análise conjunta dessas incertezas críticas, gerando dois eixos. 
As ideias forças de cada cenário imergiram da análise integrada desses eixos, cuja descrição encontra-se a seguir.
Cenário Insensatez
O cenário fictício Insensatez é contado por meio de um e-mail de um empresário do setor industrial brasileiro para um amigo, também empresário, na Espanha, relatando o período de pandemia e pós-pandemia no Brasil. A carta escreve a seguinte ideia-força:
Os países não conseguem recuperar suas economias de forma rápida e o mundo entra em um processo de recessão mais prolongada, que contribui para agravar o ambiente geopolítico, que se torna mais conflituoso entre as principais potências mundiais. No Brasil, a completa falta de governança federal e de coordenação entre os entes federados e o duro embate entre os três poderes durante e após a crise, não permitiram que o País levasse a cabo as reformas necessárias para recuperar a dinâmica de seu mercado interno e externo. Vive-se um ambiente de insensatez frente a uma pandemia.
 Cenário Contramão
O cenário fictício Contramão é contado por meio da análise retrospectiva elaborada em 2022, na véspera das eleições, publicada por um jornal fictício. As notícias publicadas pelo jornal descrevem a seguinte ideia-força:
Economia mundial em retomada, mas o comércio internacional está limitado por disputas entre os países. Brasil marcado por uma crise social e divergências entre atores relevantes públicos e privados internos. A economia brasileira patina face às medidas governamentais com baixa efetividade em um ambiente conflituoso entre os poderes da República e entre os governos federal e subnacionais. O Brasil segue na contramão da história.
 Cenário Solidariedade
O cenário fictício Solidariedade é contado por meio de um relatório de um banco de investimento fictício publicado em 3 de novembro de 2022, apresentando uma análise retrospectiva da situação do Brasil. Esse relatório descreve a seguinte ideia-força:
O Brasil supera a pandemia em melhor posição que outros países muito afetados pela Covid-19 e pela recessão mundial. A intensidade sem precedentes da crise mundial e interna levou a formulação de um pacto que resultou em um ambiente cooperativo entre os poderes da República e de solidariedade entre os entes federados e a sociedade. Esse ambiente tornou rápidas e efetivas as medidas governamentais para mitigação da crise sanitária, econômica e social. Houve estímulos à economia por meio de um plano de desenvolvimento, que sinalizou investimentos públicos e privados com benefícios econômicos e para o sistema de saúde. A solidariedade levou o país a nadar contra a correnteza da crise mundial.
 Cenário Sinergia
O Cenário fictício Sinergia é contado por uma notícia publicada no blog de um jornalista fictício no dia 7 de setembro de 2022, por ocasião das comemorações dos 200 anos da independência do Brasil e descreve a seguinte ideia-força:
Em 2022, a economia mundial já havia retomado seu crescimento. O Brasil apresenta visíveis sinais de que está deixando a crise do Covid-19 para trás depois de grande comoção nacional que fortaleceu a cooperação público-privada. O Estado brasileiro, com relativa estabilidade institucional, promove a expansão da economia digital e o país colhe os primeiros retornos, particularmente em tecnologia e inovação incremental, dos investimentos realizados em CT&I e no parque industrial da saúde. A nação foi colocada em primeiro lugar, acima das diferenças, possibilitando melhoria econômica e social por meio de parcerias sinérgicas.

Considerando que os cenários são histórias a respeito do futuro e que o futuro é sempre múltiplo e incerto, torna-se importante avaliar os quatro cenários para traçarmos estratégias sólidas e de sucesso.
Cabe lembrar que, em geral, o futuro não ocorre da forma como estão descritos nos cenários. Se bem utilizados, os cenários exercem um papel educativo, gerando aprendizado organizacional, que leva os atores estratégicos a agirem antecipadamente no sentido de construírem o futuro desejado, impedido a ocorrência de eventos não desejáveis ou gerenciando o seu risco, o que minimiza suas consequências.
A importância da identificação das oportunidade e riscos estratégicos que cada cenário apresenta auxilia nesse processo, contribuindo para a formulação de estratégias robustas independentemente de como o futuro irá se desenrolar.

As oportunidades representam aqueles fatores de criação de valor para a organização/área. Representam forças e fatores existentes no ambiente externo a organização que favorecem o atingimento dos objetivos estratégicos e suas metas. São exemplos:
·       Ambiente macroecômico favorável – economia forte.
·       Legislação favorável.
·       Ambiente geopolítico favorável.
·       Novos mercados e nichos.
·       Tecnologias emergentes.
Já as ameaças representam aqueles fatores de destruição de valor da organização. São forças e fatores existentes no ambiente que escapam ou fogem do controle da organização/área e representam desafios a vencer.
·       Crises econômicas e políticas.
·       Mudança no perfil do mercado.
·       Novos regulamentos que dificultam sua atuação.
·       Produtos substitutos.
·       Novos entrantes.


terça-feira, 7 de abril de 2020

Cenários pós-Covid-19: possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil


A segunda etapa do processo de construção de minicenários para o Brasil pós-Covid-19 está concluída. Foram geradas 1.618, entre tendências (738), incertezas (464) e rupturas (416).

Essas sementes foram tratadas, eliminando-se as repetidas, integrando assuntos semelhante e avaliando sua classificação. As rupturas foram transformadas em incertezas. 

Ao final do processo chegou-se a 151 tendências que estão em processo de avaliação para a geração das megatendências e a 24 incertezas consideradas mais relevantes para a construção dos cenários que são submetidas a avaliação dos peritos para a construção do ranking das incertezas críticas - terceira etapa do projeto.

Uma incerteza crítica corresponde a uma pergunta ao futuro ainda sem resposta que possui:
  • alto grau de importância frente a questão orientadora;
  • alto grau de incerteza em relação a sua ocorrência futura; e
  • devem ser independentes entre si.
As 24 incertezas foram redigidas na forma de eventos futuro que serão submetidos a avaliação de peritos quanto a sua importância para responder a questão orientadora e sua chance de ocorrência no futuro, durante esta semana.

Para o Projeto Cenários pós-Covid-19, o sistema de cenarização segue a seguinte delimitação:
  1. Objetivo: Gerar minicenários de possíveis impactos econômicos e sociais para o período pós pandemia do coronavírus no Brasil.
  2. Finalidade: Análise exploratória para subsidiar a formulação de políticas e estratégias de agentes públicos e privados.
  3. A quem se destinam: Agentes públicos e privado
  4. Horizonte temporal: 2020-2022
  5. Espaço geográfico: Brasil, considerando a sua envoltória
  6. Questão orientadora:  Até 2022, o Brasil será bem sucedido ao lidar com os desafios sociais e econômicos gerados pela pandemia do Coronavirus?
  7. Aspectos fundamentais: economia; sociedade e demografia; saúde e meio ambiente; geopolítica e relações internacionais; e político-institucional.
Uma pesquisa do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie.
Equipe:
Dra. Elaine C. Marcial (Coordenadora do NEP-Mackenzie e do Projeto Cenários pós-Covid-19)
Dr. Eduardo Schneider
Dr. Marcello Pio
Dr. Márcio Gimene
Dr. Rodrigo Mendes

Dr. Thomaz Fronzaglia


domingo, 29 de março de 2020

Cenários pós-Covid-19: possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil


Uma pesquisa do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie

A primeira fase do processo de construção de minicenários está concluída e seus limites estão descritos a seguir.
1. Delimitação do sistema de cenarização
Esta primeira etapa do estudo já está concluída, com o tratamento das respostas da pesquisa realizada semana passada.
Compõem o escopo do projeto e o sistema de cenarização:
1.         Objetivo: Gerar minicenários de possíveis impactos econômicos e sociais para o período pós pandemia do coronavírus no Brasil.
2.         Finalidade: Análise exploratória para subsidiar a formulação de políticas e estratégias de agentes públicos e privados.
3.         A quem se destinam: Agentes públicos e privado
4.         Horizonte temporal: 2020-2022
5.         Espaço geográfico: Brasil, considerando a sua envoltória
6.         Questão orientadora:
Até 2022, o Brasil será bem sucedido ao lidar com os desafios sociais e econômicos gerados pela pandemia do Coronavirus?
7.         Aspectos fundamentais:
Foram identificados junto à pesquisa realizada cinco aspectos fundamentais: economia, sociedade e demografia, saúde e meio ambiente, geopolítica e relações internacionais e político institucional.
A descrição do que engloba cada aspecto fundamental relacionado a questão orientadora encontra-se listada a seguir.
ASPECTOS FUNDAMENTAIS:
ECONOMIA – Abrange as atividades produtivas formais e informais de empresários, trabalhadores e terceiro setor, bem como as políticas econômicas (fiscal, tributária, monetária, cambial, de crédito e de comércio exterior), de infraestrutura e de ciência, tecnologia e inovação. Destacam-se como resultados a geração de trabalho, produção e renda, além da produtividade e competitividade nacional.
SOCIEDADE E DEMOGRAFIA – Abrange as questões ligadas à qualidade de vida em seus múltiplos aspectos, tais como: demografia; formas e relações de trabalho e de convívio social; habitação e mobilidade urbana; sensação de segurança e criminalidade; previdência e assistência social; desigualdades de renda e pobreza; e acesso à educação, à nutrição saudável, à cultura e lazer e aos serviços em geral, públicos e privados.
SAÚDE E MEIO AMBIENTE – Abrange a redução e prevenção de riscos e agravos à saúde da população por meio das ações de vigilância sanitária e epidemiológica, promoção e proteção, com o controle das doenças transmissíveis e na promoção do envelhecimento saudável; a atenção básica, especializada, ambulatorial e hospitalar, buscando reduzir as mortes evitáveis e melhorando as condições de vida das pessoas; o desenvolvimento científico, tecnológico e da produção industrial em saúde; a formação de profissionais; e a mobilidade urbana e água, esgoto e resíduos sólidos.
GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Aborda a posição do Brasil no contexto das relações geopolíticas internacionais. Engloba: cooperação internacional bilateral e papel dos organismos multilaterais; alianças e disputas geopolíticas e políticas de fronteira; relação de força entre USA e China e deles com os demais países; crescimento econômico mundial e protecionismo econômico; nacionalismo e globalização produtiva, comercial, financeira, de pessoas e de comunicação e informação.
POLÍTICO-INSTITUCIONAL – Trata de questões como a relação entre os poderes da República (Legislativo, Executivo e Judiciário), seus entes federados (União, Estados e Municípios) e o Ministério Público; a organização e o funcionamento do sistema político e das instituições; a eficiência, a eficácia e a efetividade das políticas públicas; e a capacidade do planejamento nacional de longo prazo orientar a alocação de recursos e as ações de curto prazo.
Para a definição desses aspectos fundamentais apresentados, foram incorporadas as respostas de 210 peritos que responderam a primeira pesquisa.
Parte-se agora para a etapa 2: identificação das “Sementes de futuro”. Nesta etapa espera-se coletar a percepção dos peritos em relação ao futuro.
Entende-se por sementes de futuro os fatos ou sinais existentes no passado e no presente que sinalizam possibilidades de eventos futuros.
Existem diversos tipos de sementes de futuro, entretanto nessa etapa somente iremos trabalhar com três tipos: Tendências, incertezas e rupturas.
As Tendências são eventos cuja perspectiva de direção e sentido é suficientemente consolidada e visível para se admitir sua permanência no período de cenarização considerado. 
São alguns exemplos de tendências:
  • Envelhecimento da população.
  • As tecnologias da informação e comunicação (TICs) alterando as relações pessoal, de trabalho e o uso do tempo destinado ao lazer.
  • Crescimento do volume de informação digital.

Já as Incertezas referem-se a eventos futuros cuja trajetória ainda é indefinida no período considerado de cenarização. Trata-se de uma pergunta sem resposta.
São exemplos de incertezas:
  • Haverá mudança no comportamento da população no que diz respeito à prevenção de doenças, até 2022?
  • Haverá desabastecimento no Brasil em 2020?
  • Haverá aumento da criminalidade durante o surto de covid-19?
  • Haverá uma segunda onda de contaminação do covid-19?

Ruptura representa uma grande mudança causada por um novo fenômeno que pressiona o equilíbrio existente e o quebra e que possa ocorrer no período considerado de cenarização. Normalmente, são as rupturas que permitem a mudança de status quo de países periféricos
Seguem alguns exemplos:
  • Investimento privado maior que o público no combate à crise.
  • Alinhamento entre os três poderes e os entes federados no combate à crise.
  • Vacina para a imunização contra o covid-19 disponível e acessível no primeiro semestre de 2020.
  • China, Estados Unidos e União Europeia se unem em um processo de cooperação para combate à Pandemia.



domingo, 22 de março de 2020

Cenários pós-Covid-19: possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil

Uma pesquisa do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie

O Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie, coordenado por mim, iniciou no dia 18 de março pesquisa cujo objetivo é gerar minicenários de possíveis impactos econômicos e sociais para o período pós pandemia do coronavírus no Brasil até 2022.
Entende-se por Miniceários: método de construção, em curto espaço de tempo, de cenários plausíveis, consistentes e coerentes que auxilia no processo de decisão da organização. São construídos sob a coordenação de profissionais de Inteligência para responder a questões estratégicas tomando como base o conhecimento de especialistas sobre o assunto, pois suprime a fase de análise retrospectiva e da situação atual. Em geral, são de curto prazo (Marcial 2011, p. 146). 
Será um trabalho realizado totalmente a distância, usando uma adaptação da metodologia de minicenários, que possibilita a construção de cenários para questões estratégicas em curto espaço de tempo.
A diferença é que ao invés da realização de reuniões e oficinas que ocorrem em uma semana, em geral, para a redação dos cenários, serão utilizadas pesquisas cujo tempo de resposta será sempre curto.
O grupo de controle é formado pelos seguintes pesquisadores:
Dra. Elaine C. Marcial
Dr. Eduardo Schneider
Dr. Marcello Pio
Dr. Márcio Gimene
Dr. Rodrigo Mendes
Dr.Thomaz Fronzaglia

Todas as reuniões do grupo de controle serão realizadas a distância usando o WhatsApp.
A metodologia utilizada cumprirá seis etapas:
1. Delimitação do sistema de cenarização
2. Sementes de futuro
3. Incertezas críticas e megatendências
4. Lógica dos cenários e ideia-força
5. Redação dos cenários e teste de consistência e ajustes
6. Análise estratégica

A construção dos resultados dessas etapas serão realizados a distância por meio da utilização de diversas pesquisas. 

1. Delimitação do sistema de cenarização
Esta é a primeira etapa do estudo e está em andamento. A expectativa que esteja fechada até o dia 25 de março, esperamos até que antes.
Parte desta etapa já está concluída, representa o desenho do escopo da questão a ser elaborada ao futuro que orientará todo o trabalho. O grupo de controle fechou a primeira parte no dia 20 de março, em reunião a distância, cujos resultados são os seguintes:
Nome do projeto: Cenários pós-Covid-19: possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil
Objetivo: Gerar minicenários de possíveis impactos econômicos e sociais para o período pós pandemia do coronavírus no Brasil.
3. Finalidade: Análise exploratória para subsidiar a formulação de políticas e estratégias de agentes públicos e privados.
4. A quem se destinam: Agentes públicos e privado
5. Horizonte temporal: 2020-2022
6. Espaço geográfico: Brasil, considerando a sua envoltória
7. Questão orientadora:
Até 2022, o Brasil será bem sucedido ao lidar com os desafios sociais e econômicos gerados pela pandemia do Coronavirus?
Entende-se por questão orientadora refere-se a uma questão estratégica que motivou a construção dos cenários. É uma pergunta em relação ao futuro que tem como objetivo dar foco específico ou aprofundado aos cenários.

8. Quais são seus aspectos fundamentais ligados à questão orientadora, é o que falta para dar orientação ao levantamento das sementes de futuro – próxima etapa do projeto. 
Entende-se por aspectos fundamentais os tópicos principais ligados à Questão orientadora que irão compor o arcabouço do trabalho. Contemplam os principais assuntos e atores a serem analisados e devem ser observados para ajudar a responder a seguinte questão:
Até 2022, o Brasil será bem sucedido ao lidar com os desafios sociais e econômicos gerados pela pandemia do Coronavirus?
Vamos exercitar a priorização e listar os cinco principais aspectos fundamentais.

Para tanto, estamos realizando realizada pesquisa junto a especialistas para sua definição.
Exemplos de aspectos fundamentais:
  • Emprego e trabalho.
  • Inovação.
  • Saúde pública.
  • Mudanças comportamentais com relação ao padrão de consumo.

sábado, 30 de novembro de 2019

Resultados do II Encontro do NEP-Mackenzie


Compartilhamos os resultados do II Encontro do NEP-Mackenzie, que ocorreu na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e contou com a presença de 34 participantes, representantes de 18 instituições diferentes, entre Embrapa, BNDES, Ministério da Defesa, Ministério da Ciência, Tecnologia Inovação e Comunicação, Apex-Brasil, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, FINEP, CAIXA e CNI, além de representes da academia como do UniCeub e da Universidade Católica de Brasília.

Criado em julho de 2018, o NEP-Mackenzie possui como missão “Contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico no campo dos estudos de futuro em apoio à formulação de estratégias e políticas públicas”. E por meio desse evento atende seu objetivo estratégico de “realizar e divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro”.

O evento iniciou-se com uma apresentação por mim proferida onde apresento o NEP, as atividades desenvolvidas este ano e as principais lições aprendidas até o momento. Fui seguida pela apresentação do Dr. Rodrigo Mendes Leal, com palestra sobre o “Planejamento das Estatais no Brasil e perspectivas de utilização de cenários”, seguido pelo Dr. Hercules Antônio do Padro, que apresentou a “Plataforma de Ideação: um apoio ao planejamento por cenários", plataforma tecnológica que irá apoiar o processo de planejamento por cenários.

Na sequência, o Dr. Marcello José Pio apresentou “Competências para um cenarista” ensaio construído com base no levantamento realizado no projeto Define, após um rápido coffee break, o Dr. Thomaz Fronzaglia retomou as atividades com um debate sobre “O uso dos cenários para o planejamento estratégico de CT&I”. “A contribuição do grupo de pesquisa NEP no processo de planejamento por cenários da biblioteca do Ipea” foi o tema apresentado pelo Ms. Jhonathan Divino Ferreira dos Santos, seguido pelo Ms. Marcos Aurélio Santiago Françoso que falou sobre o “Usos dos foresight”. O evento se encerrou com o Ms. Marcos Antonio Gomes Pena Junior comentando “A limitada racionalidade humana: razão prospectiva”, que manteve ainda mais das metades dos participantes até as 19hs de uma sexta-feira debatendo essas questões.

Segue link para acesso às apresentações:

Seja um apaixonado por foresight! Junte-se a esse time!

Elaine Marcial é Doutora em Ciência da informação e coordenadora do NEP-Mackenzie – Núcleo de Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Paixão nacional dando um show de estratégia


Não é a primeira vez que o futebol nos dá exemplo da importância da informação estratégica, também conhecida com inteligência competitiva, e do seu uso na formulação de uma estratégia sólida para o atingimento do sucesso. Para ganhar é preciso dedicação, capacitação, informação e estratégia, em geral de longo prazo. Vimos o show apresentado pela seleção alemã, ao ganhar a Copa do Mundo em 2014, como um exemplo que integra informação e estratégia, em especial uma estratégia de longo prazo.

Nesse contexto, destaco o jogo realizado no dia 13 de novembro, no Rio de Janeiro, entre Vasco e Flamengo que surpreendeu a todos. Uma estratégia inovadora, baseada em informação levou um time, considerado fraco, chegar ao um empate com o time favorito do campeonato brasileiro. O treinador do Vasco juntou conhecimento e informação com uma das grandes capacidades que o brasileiro tem de criar e de se adaptar, o que levou ao resultado que deixou ambas as torcidas perplexas e os apaixonados por futebol também. Informação + estratégia + inovação + adaptação é fórmula de sucesso.

Criatividade e adaptação são caracterizas essenciais para a sobrevivência e conquista de novos mercados nos dias de hoje altamente disruptivos. Mas isso não basta, há necessidade de muito conhecimento, informação e inovação permanente, inclusive inovação disruptiva, para ganhar mercado e ocupar posição de destaque no mundo dos negócios. Há também a necessidade de se formular estratégias, em sua maioria de longo prazo.

Vimos a Coreia sair de um país que vendia produtos de baixa qualidade na década de 1980 e a China na década de 1990, se tornarem grandes exportadoras de produtos com alto valor agregado. Entretanto, isso não ocorreu da noite para o dia, representou uma estratégia de mais de duas décadas.

Por outro lado, o Brasil, que já era na década de 1970, o país que ia para frente, se manteve basicamente como exportador de commodities. Sem uma estratégia de longo prazo clara, formulada com base na produção de informação estratégica, não sairá dessa condição.

Há a necessidade de escolhermos quais serão nossas opções estratégicas e a formulação de uma estratégia de longo prazo que auxilie a pavimentar esse caminho. Temos tanto que investir em inovação tecnológica quanto na formação de mão de obra qualificada para atuar nessas áreas priorizadas. É preciso também construir um ambiente propício para que a inovação ocorra e o mercado se desenvolva.

A China percebeu isso e mandou chineses para as melhores universidade do mundo realizarem pesquisa aplicada nas áreas considerada prioritárias. Nós fizemos isso na década de 1970 e início dos anos 1980. Por exemplo, a Embrapa fez grandes investimentos mandando seus pesquisadores estudarem nas melhores universidades do mundo, o que resultou na transformação do Brasil em “celeiro do mundo” e o cerrado em um dos maiores centros produtores de grãos do mundo, quando se acreditava que se tratar de áreas de baixa produtividade agrícola.

A falta de estratégia levou o Estado brasileiro a investir, no passado recente, em graduandos estudando no exterior, sem um direcionamento claro, e por conseguinte sem um retorno específico para o País como o verificado na China. Sem objetivos estratégicos claros e metas bem definidas a serem atingidas não se chega a lugar nenhum. Não se investe por que é bom, investe-se buscando retornos futuros claros e mensuráveis.

Como os recursos são escasso, temos que priorizar. Lembro que priorizar é escolher poucas áreas, de preferência que caibam na palma da mão, para as quais vamos fazer nossas apostas estratégicas, formular uma estratégia de longo prazo e investir em capacitação, ciência, tecnologia e inovação que coloquem nosso país em um novo patamar. 

Essa escolha deve ser pautada, na minha opinião, juntando dois tipos de informação: (1) a sobre o futuro, quais serão as demandas futuras, e (2) a lista de nossas competências essenciais. As apostas estratégicas devem ser o resultado da análise desses dois tipos de informações estratégicas, para que possamos, rapidamente, produzir retorno ao País. Vejam que a China fez isso no campo da produção de painéis solares: aproveitou o fato de dispor de terras raras em abundância e desenvolveu as competências necessárias para a transformação dessa matéria prima em produto com alto valor agregado. 

Juntar as duas na formulação da estratégia é chave, pois não adianta nada investirmos em uma competência que não será importante no futuro. Alem disso, sem uma estratégia de longo prazo não sairemos do voo de galinha e dos planos econômicos que não nos levarão ao desenvolvimento. Então eu pergunto: Quais são nossas competências essenciais que serão importantes no futuro? No que devemos investir? Colocar nossas fichas?

Seja um apaixonado por foresight e construa um futuro melhor!

Participe do II Encontro do Nep-Mackenzie que ocorrerá no dia 29 de novembro, a partir das 14:30 a Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (ver detalhes em: <http://elaine-marcial.blogspot.com/2019/11/ii-encontro-do-nep-mackenzie.html>).

Elaine Marcial é Doutora em Ciência da informação e coordenadora do NEP-Mackenzie – Núcleo de Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

II Encontro do NEP-Mackenzie


Os estudos prospectivos produzem informação valiosa sobre o futuro que nos ajudam a decidir melhor hoje, seja para auxiliar a tomada de decisão diária ou de planejamento de curto, médio e longo prazo. Nos libertam dos pontos cegos construídos no dia a dia e nos ajudam a enxergar além do que está estabelecido por nossos modelos mentais.

Entretanto, sem pesquisa e inovação qualquer área fica estagnada, parada no tempo. É preciso compreender melhor os fenômenos do por vir e como identificá-los a partir do hoje. Aprimorar e desenvolver métodos e modelos é chave para a produção de informação sobre o futuro que realmente contribua com o processo decisório. É nesse contexto que o NEP-Mackenzie foi criado e desenvolve seus trabalhos de pesquisa pura, aplicada e de desenvolvimento tecnológico, buscando, inclusive, parcerias com outras organizações de pesquisa.

Nesse contexto, convido a todos os interessados em estudos de futuro a participarem do II Encontro do NEP Mackenzie, que ocorrerá no dia 29 de novembro, a partir das 14:30, na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília - SGAS 906 Sul.

O Núcleo de Estudos Prospectivos tem por missão “Contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico no campo dos estudos de futuro em apoio à formulação de estratégias e políticas públicas” e neste II Encontro apresentará os resultados dos debates e pesquisas realizadas em 2019.

Conto com a presença de todos os “apaixonados por foresight”.

Venha participar dessa rede!

Seja um “Apaixonado por foresight” e melhore seu processo decisório hoje.
Elaine Marcial

II Encontro do NEP-Mackenzie

Data: 29 de novembro de 2019
Horário: 14:30 – 18:00
Local: Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília – SGAS 906 Conj A Bloco 1
Asa Sul, Brasília
Programação
14:30 – 15:00 – Abertura – Dra. Elaine Coutinho Marcial
                        Evolução do projeto Define lições aprendidas
15:00 – 15:20 – Planejamento das estatais no Brasil e perspectivas de utilização de cenários. Dr. Rodrigo Mendes Leal
15:20 – 15:50 – Plataforma de Ideação: um apoio ao planejamento por cenários – Dr. Hercules Antônio do Prado
15:50 – 16:10 – Competências para um cenarista – Dr. Marcello Jose Pio
16:10 – 16:30 – Coffee-Break
16:30 – 16:50 – O uso dos cenários para o planejamento estratégico de CT&I – Dr. Thomaz Fronzaglia
16:50 – 17:10 – A contribuição do grupo de pesquisa NEP no processo de planejamento por cenários da biblioteca do Ipea - Ms. Jhonathan Divino Ferreira dos Santos
17:10 – 17:30 – Usos dos forsight – Ms. Marcos Aurélio Santiago Françozo
17:30 – 17:50 – A limitada racionalidade humana: razão prospectiva: Ms. Marcos Antonio Gomes Pena Júnior
17:50 – 18:00 – Encerramento – Dra. Elaine Coutinho Marcial