sábado, 6 de junho de 2015

Quatro forças globais que quebram todas as tendências - Introdução

Em abril, foi publicado pela McKinsey texto que apresenta quatro forças disruptivas que, segundo os autores, são fundamentais, pois vão criar grandes mudanças na economia global. São elas: a urbanização, a aceleração das mudanças tecnológicas, o envelhecimento da população e a maior conexão global.

Destacam que se tratam de forças que todos nós já conhecemos, mas no fundo não compreendemos por completo sua magnitude e impactos. Isso me fez lembrar a internet. Já convivemos com ela há mais de 20 anos e para mim ainda é um fato portador de futuro. Todo dia me surpreende e ainda não temos conhecimento de toda a sua potencialidade de uso nos mais diversos campos do conhecimento. Ademais, no fundo, ela é “só” um meio de comunicação. A questão é que ela está se tornando “O” meio de comunicação e mais, “O” de conexão.

O texto, o qual sugiro a leitura, também chama a atenção ao fato de que essas quatro forças estão ocorrendo ao mesmo tempo e, a meu ver, o impacto é ainda maior, pois uma alimenta a outra, aumentando a velocidade das mudanças. Isso porque essas mudanças alimentam novas, que vão romper muitas tendências consideradas certas de ocorrerem e, como resultado, aumentarão a incerteza ambiental. Os conhecimentos que possuíamos do mundo anterior pouco serão úteis para entender os tempos que estão por vir. Governos, empresas e pessoas terão que se adaptarem a esses novos tempos.

Vivemos em um mundo em transformação e, por mais dados que tenhamos, menor será a nossa capacidade de anteciparmos os acontecimentos. Sendo assim, fica a reflexão: o quanto o Brasil tem de conhecimento sobre essas forças disruptivas? Qual a posição do País e das organizações que nele atuam frente a esses desafios? Que apostas faremos?

Fiquem ligados, pois comentarei cada uma das quatro forças nas próximas semanas.

Obs.: O texto da McKinsey foi elaborado pelos autores do livro: No Ordinary Disruption: The Four Global Forces Breaking All the Trends, lançado em maio pela PublicAffairs. (http://www.amazon.com/No-Ordinary-Disruption-Global-Breaking/dp/1610395794).

REFERÊNCIA
DOBBS, Richard; MANYIKA, James; WOETZEL, Jonathan. The four global forces breaking all the trends. McKinsey Global Institute, Apr. 2015. Disponível em:<http://www.mckinsey.com/insights/strategy/the_four_global_forces_breaking_all_the_trends>. Acesso em 25 maio de 2015.

sábado, 23 de maio de 2015

A produção de Inteligência Competitiva

Para os interessados em Inteligência Competitiva, foi publicado na semana passada o meu segundo artigo sobre o tema no Observatório Ipea de gestão do conhecimento.

O objetivo do artigo foi apresentar, de forma sintética, o primeiro dentre os quatro modelos que compõem a atividade de Inteligência Competitiva.

Modelos da Inteligência Competitiva
Fonte: Adaptado de Marcial (2013).
Como havia explicado no texto anteriormente publicado no Observatório Ipea, a Inteligência Competitiva possui quatro modelos: o de produção de Inteligência, o de contrainteligência, o de monitoramento ambiental e o de sistema de Inteligência.


Neste artigo apresento o modelo de produção de Inteligência. Nos próximos apresentarei os demais. Acompanhem esta série.
Ciclo ou processo de produção de Inteligência.
Fonte: Adaptado de Kahaner (2006).


Conheça o Observatório do Ipea e leia o artigo completo em:

O link do meu artigo: http://www.ipea.gov.br/observatorio/palavra-de-espcialista/107-elaine-marcial/227-a-producao-de-inteligencia-competitiva

O link do Observatório: http://www.ipea.gov.br/observatorio/


REFERÊNCIAS
Kahaner, Larry. Competitive intelligence: how to gather, analyse, and use information to move your business to the top. New York: Simon & Schuter, 1996.
MARCIAL, Elaine C. Aspectos fundamentais da Inteligência Competitiva e a Ciência da Informação. Brasília: Universidade de Brasília, 2013. 252 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Universidade de Brasília, Departamento de Ciência da Informação e Documentação: Brasília, 2013.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O futuro e a lei dos grandes números

Há um erro comum cometido durante o processo de produção de informação estratégica que é negligenciar a “Lei dos Grandes Números”. Essa Lei, que sustenta a boa análise estatística e que garante a possibilidade de boas inferências estatísticas, não é considerada por alguns analistas que ao se basear em poucas observações realizam inferências em relação a uma população, ao presente e ao futuro.

Entretanto, quando tratamos de estudos de futuro, projeções realizadas com base em longas séries temporais, substanciadas na Lei dos Grandes Números, pode não refletir o que irá realmente ocorrer, por maior acurácia científica. Por outro lado poucas observações, também chamadas de sinais fracos, podem ser os grandes reveladores dos acontecimentos futuros.

Então, quando devemos usar um ou outro? Como fazer boas previsões? Em que devemos nos basear?
Na realidade é impossível fazer boas previsões, pois o futuro é múltiplo e incerto. Ele muda a todo instante, pois é o resultado das ações dos atores no ambiente associado ao resultado do confronto entre suas estratégias e não do comportamento de variáveis observáveis.

Sendo assim, o principal objetivo de estudarmos o futuro não é para fazermos previsões e tentarmos antecipar o que vai acontecer, mas identificar as possibilidade de futuro que se apresentam a partir do presente e fazer apostas no sentido de construir o futuro desejado.

A ciência ajuda os estudiosos do futuro contribuindo com a produção de informações de qualidade as quais são importantes para o desenho e compreensão das opções estratégicas. Mas é a decisão associada a ação e seus resultados no ambiente que vão delinear o futuro que está por vir.

Sendo assim, você já fez suas apostas? Já partiu para construção do seu futuro desejado? Elas foram baseadas em informação e na análise das possibilidades futuras? Lembrando que sem arriscar ninguém constrói o futuro desejado, mas você pode avaliar seus riscos, e decidir com maior segurança se tiver boa informação.

domingo, 10 de maio de 2015

Profissões do futuro

Na sua organização você já possui uma recepcionista virtual? E um conselheiro genético? Já pensou em contratar um analista de networking para mapear, entender e acompanhar o verdadeiro fluxo de poder dentro da sua organização? Se não, se prepare, pois eles estão chegando.

Essas são algumas das novas profissões descritas no artigo veiculado no domingo passado pelo Correio Brasiliense na reportagem: “Profissões do futuro”, p. 8 do caderno de economia. Essa reportagem foi baseada em pesquisa realizada pelo programa de Estudos de Futuro (Profuturo) da Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo. Fiz uma pesquisa para identificar a fonte e descobri que a pesquisa foi realizada em 2013 e, na época, veiculada por diversos meios de comunicação, alguns listados ao final.

Segundo a reportagem, a lista contempla as profissões que serão mais demandadas até 2020 e as que vão desaparecer. Entretanto, entendo que mais importante que a própria lista é a necessidade de nos adaptarmos as novas demandas do mercado. Não me refiro nem mesmo ao profissional do futuro, mas o do presente que deve estar preparado para se adaptar às mudanças que já estão em curso. Essa adaptação vai demandar investimento muito maior no desenvolvimento de habilidades e atitudes para sobreviver às mudanças do que em conhecimento, até porque o conhecimento está disponível e a oferta de capacitação voltada para a aquisição de conteúdos tende a crescer.

Capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares, ter visão holística, ser capaz de solucionar problemas, ser criativo e inovador, raciocínio lógico e interpretativo e, principalmente, aprender a aprender sem dúvida alguma serão competências essenciais. Isso porque a automação, a inteligência artificial e a robóticas irão cada vez mais realizar as tarefas corriqueiras e substituir muitas profissões ainda em operação hoje em dia.

Por fim, espero que saibamos utilizar, com sabedoria, essas tecnologias para podermos ter no futuro, cada vez mais, qualidade de vida.

Confira as profissões emergentes:


sábado, 2 de maio de 2015

Observatório Ipea de Gestão do Conhecimento e Inovação na Administração Pública – OIGC

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) lançou, no dia 10 de março, o portal do Observatório Ipea de Gestão do Conhecimento e Inovação na Administração Pública – OIGC. Para os interessados no assunto ele promete ser um excelente fornecedor de informações semanais sobre a temática.
O coordenador do projeto, meu colega de doutorado da UnB, Fábio Ferreira Batista, Técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, me convidou para atuar no portal como articulista na seção “Palavra de especialista” sobre a temática: Inteligência Competitiva. Essa seção contará com atualizações trimestrais dos especialistas convidados.
Já está publicado o meu primeiro artigo cujo título é: “A Inteligência Competitiva e sua finalidade”. Esse artigo teve como objetivo apresentar a temática no contexto atual e sua finalidade, destacando que se trata de atividade altamente especializada e formada por quatro macroprocessos.
Conheça o Observatório e leia o artigo completo em:
O link do Observatório: http://www.ipea.gov.br/observatorio/

domingo, 26 de abril de 2015

Por que os textos dos cenários devem ser redigidos de forma lúdica?

Questionada por uma amiga se estava correto usar a palavra “lúdica” para caracterizar o documentário “2075 - Les temps changent”, me levou a escrever esse texto, que pode servir como alerta para os cenaristas principiantes.

Como o futuro não existe, estamos somente aptos a contarmos histórias a respeito dele. Essas histórias têm como objetivo proporcionar análises das possibilidades de futuro que se configuram a partir do presente, estudá-las e, assim, estarmos mais preparados para tomarmos decisão frente a um futuro, que é múltiplo e incerto por definição.

Como nenhum cenarista possui bola de cristal, seu objetivo é deixar claro que não se trata de previsão, mas de possibilidades hipotéticas a respeito do futuro. Para tanto, criamos personagens, cenas envolventes e marcantes que chamem a atenção das principais questões estratégicas e seus possíveis comportamentos futuros. É importante deixar claro para o leitor que não é uma previsão do futuro, não estamos afirmando o que vai acontecer, mas uma forma de representar os possíveis acontecimentos futuros.

Essas histórias a respeito do futuro devem ser capazes de gerar aprendizado organizacional. Cada cenário deve ser vivenciado pelos estrategistas da organização para que possam experimentar os resultados de suas estratégias antes de colocá-las em prática. Assim, espera-se a construção de objetivos estratégicos que contribuam para a construção do futuro desejado. Em muitas organizações essa “vivência do futuro” é feita por meio de jogos.

Segundo o dicionário a palavra lúdico é “um adjetivo masculino com origem no latim “ludos”, que remete para jogos e divertimento”. Uma atividade lúdica é uma atividade de entretenimento, que dá prazer e diverte as pessoas envolvidas. O conceito de atividades lúdicas está relacionado com o ludismo, ou seja, atividades como jogos e o ato de brincar. Os conteúdos lúdicos são muito importantes na aprendizagem, pois é uma forma de  incutirmos nas crianças a noção de que aprender pode ser divertido. As iniciativas lúdicas nas escolas potenciam a criatividade, e contribuem para o desenvolvimento intelectual dos alunos. Um texto ou discurso lúdico é uma produção cultural que é capaz de divertir o leitor ou ouvinte. É essencial para chamar a atenção e para persuadir outras pessoas.

Nesse contexto, os enredos dos cenários devem ser redigidos, sim, de forma lúdica. Os tempos verbais devem estar no presente e no passado, mesmo contando histórias a respeito do futuro, como no caso do documentário citado. É como se o escritor estivesse posicionado no final do horizonte temporal e contando os principais acontecimentos históricos ocorridos até a chegada naquele momento futuro. Deve usar personagens fictícios e realmente contar histórias que entretenham e gerem aprendizado para os leitores.

Um bom exemplo são os cenários construídos pelo National Intelligence Consul, que utiliza na introdução de cada um dos quatro cenários construídos, inclusive, os termos “cenário hipotético” e “cenário fictício”. Destaco que, no documento “Mapping the global future: report of the National Intelligence Council’s 2020 Project (Dec. 2004)”, link abaixo, um dos cenários é redigido em formato de troca de mensagens por celular entre dois traficantes de armas (ver p. 105 do documento citado).

Assim, não existe nada de errado em tratar o processo de elaboração de cenários de forma lúdica para que, dessa forma, seja incentivada a criatividade e seus resultados sirvam de inspiração para os tomadores de decisão construírem um futuro melhor, livres das amarras do presente.

Documento citado:
Mapping the global future: report of the National Intelligence Council’s 2020 Project

sábado, 18 de abril de 2015

2075 - Les temps changent - para reflexão e ação

Assistindo as reportagens desses últimos meses sobre o nível das nossas represas e da eminência de falta de água e, por conseguinte, de energia no nosso país, me lembrei de um vídeo, já um pouco antigo mas que vem bem a calhar para assistirmos e nos planejarmos melhor no sentido de construirmos um futuro diferente.

 O documentário “2075 – Les temps changent”, apesar de ter sido elaborado em 2008, mostra uma possilibilidade de futuro distante, mas que, de certo modo, já começamos a observar seus traços hoje em dia em nosso país. São exemplos: a falta de água em diversas regiões, tempestades devastadoras em outras e altas temperaturas. Além disso, nos alertar que a água poderá ser motivo de guerras e disputas no futuro.


O documentário apresenta uma visão futurística de como as mudanças do clima poderão afetar o planeta não somente sob a ótica ecológica, mas também sob as óticas econômica e geopolítica. Essa previsão é apresentada de forma lúdica, como não poderia deixar de ser já que se passa em 2075, por meio da história de quatro personagens que se encontram em locais diferentes do planeta cujas vidas são afetadas pelas possíveis mudanças do clima. Baseado em estudos científicos internacionais, "2075: Les temps Changent" é uma ficção baseada no processo de aquecimento global. 
Ele fornece uma ilustração do que poderia ser a vida na Terra em 2075. O cenário é baseado no IPCC (o grupo de cientistas nomeados pelo estudo das Nações Unidas sobre o aquecimento global e que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007).

O documentário mostra os grandes eventos que poderão ocorrer se a temperatura do planeta aumenta em 3 graus Celsius, durante o século XXI. Em 2075, o nível do mar subiu, destruindo culturas, inundando muitos países, regiões e ilhas. São milhões os refugiados do clima. O continente Africano tornou-se um vasto deserto. O sol queima tudo. Nada cresce. A população é forçada ao êxodo para o norte que selecionam quem pode migrar com base em critérios rigorosos como: estado de saúde, idade e força física. 80% da população mundial vivem em cidades. A grandes cidades do mundo proibiram o uso dos automóveis; os eixos principais de transportes são ocupados por linhas elétricas. Falta água em algumas partes do mundo e em outras a chuva causa estragos, ameaça represas e inunda cidades. Ao norte o gelo do mar desaparece anualmente e foi aberta uma nova rota marítima entre o Pacífico e o Atlântico. A poluição, as guerras, as mudanças climáticas e o desmatamento reduziram 40% das espécies animais.


Por fim, lembro que estudamos o futuro não para tentarmos adivinhar o que vai acontecer, mas para que, de posse dessas informações, possamos repensar nossos investimentos e planejarmos a construção do futuro desejado. Investindo hoje para evitarmos que eventos indesejáveis aconteçam e que os desejáveis se realizem.


https://www.youtube.com/watch?v=70uKhEJG8gU



Elaine Marcial