quarta-feira, 7 de abril de 2021

Acorda Brasil


Hoje pela amanhã assistindo, na CNN, uma entrevista com a Dra. Mariângela Simão, vice-diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS) da área de medicamentos, vacinas e produtos farmacêutico, me fez refletir sobre quando o nosso país vai acordar para pensar e agir estrategicamente de forma antecipativa.

Nessa entrevista a  Vice-diretora da OMS explicava as dificuldades enfrentadas na distribuição de vacinas contra a Covid ao redor do mundo, por meio do Covax Facility – consórcio criado pela OMS, do qual o Brasil é um dos participantes (https://bit.ly/31UgwIh).

A Dra. Mariângela informou que alguns países como os Estados Unidos, a Índia, e outros países europeus somente vão disponibilizar o imunizante após terem vacinado sua população. O “excessivo nacionalismo”, palavras utilizadas pela entrevistada, no meu entender, é plenamente compreensível frente ao estrago social e econômico que uma pandemia causa em um país. Não estou analisando o mérito do comportamento desses países, nem pretendo entrar no debate de qual seria o comportamento ético adequado frente a humanidade, por isso existem organizações internacionais, para pensar no todo. Estou apenas mostrando, nas palavras de Nelson Rodrigues “a vida como ela é”: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

As palavras dela me fizeram lembrar dos cenários que construímos em 2006 para a influenza aviária. Um dos pontos levantados foi justamente a alta probabilidade de falta de medicamento, como por exemplo do antiviral Tamiflu, ou de EPIs, não por falta de recursos para adquiri-los, mas porque os países iriam primeiro atender a sua população para depois exportar para o outros.

Essa não foi a primeira pandemia que a humanidade enfrentou e não vai ser a última. Frequentemente temos que enfrentar surtos de doenças como as do H1N1 ou da dengue, provavelmente iremos nos deparar com outras novas doenças que assolarão uma sociedade que vive aglomerada em cidades. Sendo assim, temos que ter clareza de quais os insumos estratégicos de saúde que o Brasil tem que ser capaz de produzir, em curto espaço de tempo. Desenvolver competências, inclusive de pesquisa e desenvolvimento, que garantam o desenvolvimento e a produção em larga escala e a baixos custos, de forma ágil.

Que essa pandemia faça o país acordar e tomar consciência de que não podemos ficar nas mãos de um único fornecedor, muito menos de fornecedores estrangeiros para insumos estratégicos, independentemente da área.

Se uma questão for considerada estratégica para o país, termos que ter a competência para desenvolver aqui no Brasil, de forma eficiente, a produção desses insumos e produtos estratégicos. Planos de contingência devem estar prontos para serem acionados ao surgimento de eventos inesperados. Temos que parar de apagar incêndios e planejar com antecedência, afinal, competências não são desenvolvidas da noite para o dia.

Temos que ter essa lista de quais são esses insumos, produtos e competências estratégicas, em especial, as que serão demandas no futuro, e investir nesse desenvolvimento.

Mas fico pensando... Já sabemos quais são os insumos, produtos e competências estratégicas? Se sabemos, por que não nos preparamos para acontecimentos adversos? Onde estão os planos de contingência? Por que o desenvolvimento dessas competências não são incentivada? 

Acorda Brasil!

segunda-feira, 15 de março de 2021

Reflexões prospectivas - Compartilhando conhecimento com a sociedade

 


Compartilho o link para o acesso a edição especial da Revista BSBMACK que conta com 12 artigos de opinião sobre temas ligados ao foresight e ao planejamento por cenários. 

Lá vocês poderão encontrar artigos que tratam do tema tanto na ótica filosófica e científica, quanto na aplicada, trazendo a ciência para mais próximo do nosso dia a dia.

Esta é uma produção especial dos pesquisadores do NEP-Mackenzie, compartilhando conhecimento com a sociedade.

Boa leitura!

Disponível em: https://bit.ly/3kBpanE

Resultados do III ENEP 2020


Nos dias 2 e 3 de março de 2021, realizamos o III ENEP – Encontro Anual do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos do NEP-Mackenzie.

Os resultados apresentados alternam debates sobre questões filosófica, científicas e casos práticos da pesquisa e da atividade do foresight. Convidamos todos a assistirem os vídeos do evento.


O vídeo do primeiro dia do Encontro está disponível e conta com a participação do Dr. Ricardo Castro (Membro Associado, Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center-EPSC, o think tank interno da Comissão Europeia). Ele nos brindou com uma excelente apresentação sobre como o foresight está evoluindo na União Europeia. Também aborda a minha apresentação e do Dr. Rodrigo sobre as lições aprendidas com a nossa participação no encontro anual de foresight da OCDE. Segue o link para o primeiro dia:

https://www.youtube.com/watch?v=MiIDhXV05T0

Já no segundo dia do III ENEP, apresentamos as principais lições aprendidas com as pesquisas desenvolvidas no âmbito do NEP-Mackenzie, sejam elas coletivas ou individuais. Trazemos questões teóricas e práticas que contribuem com o aprimoramento do uso do foresight nas organizações no apoio à formulação de estratégia e a tomada de decisão. Essas apresentações podem ser assistidas pelo link a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=KqZjx5hCoY0&ab_channel=MackenzieBras%C3%ADlia

Agradecemos a todos que prestigiaram o evento, e convidamos a quem não pode comparecer a assisti-lo agora.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

III ENEP - NEP-Mackenzie realiza evento para compartilhar resultados de pesquisas sobre Estudos de Futuro

Compartilho o release no III ENEP. Nele vocês vão poder obter informações sobre a programação do evento e como acompanhar. Aguardo todos lá. Elaine Marcial

"Gratuito e com transmissão aberta pelo canal do Mackenzie Brasília no youtube, III Encontro Anual do NEP-Mackenzie inaugura ciclo de trabalhos do grupo, em 2021, com a apresentação de dados relevantes registrados após investigações iniciadas ano passado

A terceira edição do Encontro Anual do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (NEP-Mackenzie Brasília) - ENEP - está marcada para os dias 2 e 3 de março, em formato on-line, com transmissão aberta e gratuita pelo canal oficial da Faculdade no youtube (youtube.com/mackenziebrasilia). O evento marca o reinício dos trabalhos do grupo, com a apresentação do andamento das pesquisas iniciadas ou dos trabalhos concluídos pelo NEP, em 2020. A ideia é compartilhar com a sociedade os avanços em pesquisa realizados pelo Grupo de pesquisa durante o ano e, assim, divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro.

O ENEP ocorrerá nas tardes dos dias 2 e 3 de março, das 15h30 às 18h, com programação que contempla debates sobre as “Competências essenciais para construção e planejamento de cenário”, o “Futuro do Trabalho no Brasil em 2030”, “A prospectiva e o uso da inteligência coletiva para uma gestão pública por governança”, as “Perspectivas filosóficas sobre estudos de futuro” e outros assuntos descritos no serviço deste texto. 

A abertura do Encontro terá a participação de Ricardo Borges de Castro, Membro Associado da Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center (EPSC), o think tank interno da Comissão Europeia. Conduzirão a solenidade o professor Domingos Spezia, vice-diretor Acadêmico do Mackenzie Brasília e a professora Elaine Marcial, coordenadora do NEP-Mackenzie e da Pós-Graduação em Cenários Prospectivos Inteligência, Cenários e Gestão Estratégica.

O NEP-Mackenzie foi criado em julho de 2018 e tem como objetivo realizar e divulgar a produção científica e tecnológica no campo dos estudos de futuro. A  pesquisa neste campo pretende, entre outras questões, organizar e assegurar um processo decisório mais assertivo - contribuindo para o sucesso da empresa ou do órgão público frente a cenários políticos, econômicos e sociais impactados por algum acontecimento relevante na atual conjuntura. 

Tanto a construção de cenários quanto a produção de inteligência são atividades altamente especializadas e necessitam do desenvolvimento de competências para que produzam bons resultados. “O NEP tem dado contribuições importantes ao governo, a empresas e a pesquisas em outros segmentos acadêmicos. Ano passado, lançamos o livro Cenários Pós-covid 19, possíveis impactos sociais e econômicos no Brasil e dois encartes importantes, discutindo nossas pesquisas (Revista 1|Revista 2). No ENEP iremos apresentar o que fizemos em 2020 e compartilhar nossos resultados, buscando, sempre, favorecer a ciência, em tempos tão complexos”, explicou a professora Elaine.

 

III ENEP – Encontro Anual do NEP-Mackenzie

Programação e links para assistir

 

02/03/2021 – terça-feira

https://youtu.be/MiIDhXV05T0

 

15:30 – 15:50 – Abertura

Prof. Domingos Sávio Spezia – Coordenador Acadêmico

Dra. Elaine Marcial, Coordenadora do NEP-Mackenzie

 

15:50 – 16:50 – Palestras de abertura: Estudos de futuro: potencialidades e desafios

Dr. Ricardo Borges de Castro (Membro Associado, Global Fellowship Initiative, Geneva Centre for Security Policy e ex-Conselheiro em Prospectiva Estratégica do European Political Strategy Center -EPSC, o think tank interno da Comissão Europeia)

 

16:50 – 17:30 – Com engajar diversas instituições para a prática do foresight? Reflexões a partir do evento anual da OCDE.

Dra. Elaine Marcial

Dr. Rodrigo Leal

 

03/03/2021 – quarta-feira

https://youtu.be/KqZjx5hCoY0

 

15:30 – 15:50 Dra. Elaine Marcial – Resultados do NEP-Mackenzie 2020

15:50 – 16:00 Dr. Marcello Pio – Competências essenciais para construção e planejamento por cenário

16:00 – 16:10 Ms. Marcos Pena – Perspectivas filosóficas sobre estudos de futuro

16:10 – 16:20 Dr. Thomaz Frongalia – Avaliação de cenários prospectivos

16:20 – 16:30 Dr. Rodrigo Mendes Leal – Cenários Prospectivos, Estratégia e Gestão de Riscos

16:30– 16:40  Ms. Marcos Françozo – Usos da prospectiva na definição da estratégia: a experiência da União Europeia e do Reino Unido

16:40 – 16:50 Ms. Livia Torres – Observatório Solos – Desafios na consolidação de uma instância prospectiva numa unidade de pesquisa da Embrapa

16:50– 17:00  Ms Carolina Lopes –Futuro do Trabalho no Brasil em 2030

17:00 – 17:10 Ms. Ariel Cecilio Garces Pares – A prospectiva e o uso da inteligência coletiva para uma gestão pública por governança

17:10 – 17:30 Perguntas, debate e encerramento (Elaine Moderadora)


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Memória institucional em risco: fatos portadores de futuro

Compartilho com todos a pesquisa desenvolvida por mim e pela pesquisadora Josinas, em trabalho realizado no Ipea, sobre o risco de perda da memória institucional do nosso País. O trabalho traz o levantamento de diversas sementes de futuro, no horizonte de 2050, que vale a reflexão de todos, em especial dos gestores públicos.

Destaco que a reflexão deve ser realizada por todos, pois esse processo deve estar acontecendo em outras instituições, seja elas públicas ou privadas também. Lembro que um país sem passado é um país sem futuro.

Encaminho o resumo do artigo e link para ele.

Prolifera-se, nos órgãos da Administração Pública Federal a divulgação da informação produzida em formato digitais, em sua maioria armazenadas nos sites das instituições. O estudo oferece uma reflexão sobre o risco da perda da  memória institucional no curto, médio e longo prazo. O objetivo da pesquisa é apresentar o levantamento e as justificativas das principais tendências, incertezas e possíveis rupturas relacionadas à preservação da memória institucional da Administração Pública Federal até 2050. A pesquisa tem caráter descritivo e qualitativo, cujo método utilizado foi o levantamento bibliográfico, documental associado a levantamentos realizados junto a órgãos públicos mediante roteiro de entrevista. Foram identificadas e justificadas 32 sementes de futuro, das quais 16 referem-se a tendências, 11 são incertezas e quatro são possíveis rupturas. A principal conclusão é que a memória institucional da Administração Pública Federal, em especial em Brasília, encontra-se em risco, configurando-se como uma megatendência. Considera-se a formulação de uma política de informação voltada para sua gestão e preservação, em especial a digital, associada um protagonismo profissional do bibliotecário, atuando frente à preservação e à gestão da informação digital. Essas medidas seriam rupturas que minimizariam essa perda.

Segue link do artigo:

https://periodicos.unb.br/index.php/RICI/article/view/31252/28750

MARCIAL, Elaine, VIEIRA, Josina da Silva. Memória institucional em risco. Revista Ibero-americana de Ciência da Informação, v. 14 n. 1, p. 1-21, 2021: https://doi.org/10.26512/rici.v14.n1.2021.31252

Boa leitura!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Eu e o Covid: a importância da estratégia na vida das pessoas


Com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil e o fechamento generalizado da economia ocorrido em março, o Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie desenvolveu cenários para o período pós-Covid-19 (https://bit.ly/2VTRWUQ).

O estudo me alertou em relação a politização da saúde no país e o perigo desse movimento. Um tratamento equivocado poderia levar ao agravamento da doença, ainda mais no meu caso por ser asmática. Nesse contexto, passei a estudar a doença, pois sem informação não é possível tomar decisões adequadas.

Como em qualquer processo de formulação de estratégia é necessário conhecer a si mesmo, seus pontos fortes e fracos (no caso, como está a sua saúde), seu “inimigo” (no caso o coronavírus ) e o ambiente em sua volta. O levantamento dessas informações é chave. Lembro que somos diferentes e cada um terá que identificar suas vulnerabilidades e tratá-las.

Não sou da área de saúde, mas minha principal competência, além de pesquisadora, é a de produção de informação estratégica e utilizei tal competência a meu favor. Procurei levantar o máximo de informação sobre a doença e tratamentos existentes para decidir qual seria a estratégia a ser adotada contra a Covid-19 ,caso me deparasse com o vírus.

Após analisar os dados e entrevistar vários médicos de diferentes áreas de atuação, sendo muitos da frente de batalha, fiz minha escolha: seguir o protocolo de Madri e fortalecer meu organismo para enfrentar a doença quando ela chegasse: alimentação saudável, exercícios físicos diários e reforço vitamínico – elementos básicos para o fortalecimento do organismo e da imunidade.

Faltava escolher o médico. Queria alguém que estivesse disposto a seguir o protocolo de Madri. O problema é que muitos médicos, apesar de confidenciarem que o utilizariam caso fossem acometidos pela doença, não o prescreveriam, pois não havia indicação nem comprovação científica para seu uso. Finalmente, encontrei um médico disposto a seguir o protocolo de Madri. Ele me submeteu a uma série de exames para verificar como estava a minha saúde e se havia alguma deficiência. Segui as orientações dele, que dosou as vitaminas que eu já estava tomando, acrescentou outras, bem como o uso da invermectina de forma preventiva. Afinal de contas, não basta planejar é necessário executar a estratégia formulada.

Apesar de todos os cuidados e de estar “em casa” durante todo o período, pois comprava tudo a distância, saia apenas para fazer as caminhadas diárias e mais recentemente para fazer os exames médicos – para ter um diagnóstico da minha saúde – em meado de novembro a doença atingiu o meu lar. Entretanto, eu estava preparada. A estratégia traçada foi executar, de forma rápida e precisa. O médico entrou rapidamente com a medicação da primeira fase e, apesar de eu fazer parte do grupo de riscos, os sintomas foram leves e duraram poucos dias. Não precisei entrar com as medicações indicada para a segunda fase.

Os cuidados durante a doença também foram importantes: isolamento, repouso, alimentação de qualidade e muito líquido. Esses elementos junto com os medicamentos são chave. O isolamento, além de evitar a contaminação de terceiros, evita o recebimento de nova carga viral, o que pode levar ao agravamento do quadro. O uso das vitaminas e suplementos alimentares ajudam meu organismo, pois não sentia fome. No início, não conseguia comer, pois o cheiro me deixava enjoada e depois que perdi o olfato, mal conseguia comer. Mesmo tomando suplemento alimentar emagreci três quilos em duas semanas.

Eu já possuía até um plano de contingência, caso eu tivesse que ser internada. Para toda estratégia, você tem que ter o seu plano de contingência: e se?

Muitas pessoas sabem e praticam em suas organizações a formulação de estratégia ou o planejamento estratégico e esquecem de fazer isso para suas vidas. Entretanto, o uso dessa metodologia na nossa vida pessoal pode ser decisivo, com esse exemplo que compartilho.

Quando não temos uma estratégia para a nossa vida, passamos a fazer parte da estratégia de alguém. Perdemos as rédeas de nossa vida que passam a ser conduzida pelo acaso ou pela estratégia de terceiros. Nesse contexto, convido-o a ser um construtor do futuro, de estar no comando de sua vida. Lembro que para tanto você terá que investir um tempo para produzir informação que aumente o seu conhecimento sobre si mesmo, sobre o “inimigo” e sobre o ambiente no qual está inserido. Sem informação de qualidade não há boa decisão. Como somos diferentes, cada um terá que encontrar o seu caminho.

Se você ainda não contraiu a doença, formule sua estratégia, pois mais cedo ou mais tarde você poderá se deparar com ela e, estando preparado, será muito mais fácil passar por ela. Lembre-se que o vírus não morre, ele está no ambiente e não vai ser só ficando em casa que você vai estar protegido. Você poderá encontrá-lo até quando sair para tomar a vacina.

Resolvi compartilhar minha história, pois ela pode servir de inspiração para outras pessoas que se esquecem da importância da formulação de uma estratégia e sua execução para a suas vidas pessoais. O Covid-19 é um exemplo, mas temos que nos posicionar como condutores da nossa vida, sendo assim:

Seja um construtor do seu futuro!

 

1 A Dra. Elaine Marcial é coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos NEP-Mackenzie, especialista em planejamento por cenários e inteligência competitiva.

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Uma estratégia de longo prazo para o Brasil


No dia 26 de outubro o Presidente da República, juntamente com o Ministro da Economia, publicou o Decreto n.10.531, que institui a Estratégia Federal de Desenvolvimento para o Brasil, para o período 2020-2031. A estratégia, formulada pelo Ministério da Economia, apresenta três cenários econômicos e os eixos da estratégia: econômico, institucional, infraestrutura, ambiental e social, bem como suas principais diretrizes.

A inciativa tem grande importância para o país, pois fornece um direcionamento aos órgãos do Estado e aos agentes econômicos para os próximos 11 anos. Além disso, os cenários apresentados contribuem com uma das suas principais funções, que é a de gerar aprendizado antes da ocorrência dos eventos. Ao mostrarem as consequências da não aprovação das reformas, em especial a fiscal, sinalizam a importância de solucionarmos os problemas associados a essa força motriz, oportunamente.

Cabe agora a cada ator, capaz de promover as mudanças necessárias, propor sugestões criativas de como transformarmos as diretrizes apontadas em realidade, em especial em um ambiente de recursos escassos. Para tanto, pensar “fora da caixa” será necessário.

Lembro que, para um país, 11 anos é médio prazo. Não há nem mesmo tempo de colhermos os futuros de vários investimentos, como por exemplo, os em educação fundamental, tema tratado no documento que necessita de uma “revolução” e de uns 20 anos para colhermos seus frutos. Cenários para países devem ser de pelo menos 20 anos, mas reforço que isso já é um começo e a iniciativa é louvável.

Outro ponto que é destacado no documento que merece ser melhor explorado é o fato de terem considerado o ambiente econômico internacional neutro, em função do impacto que essa variável pode causar na economia nacional e no desenvolvimento do país. Lembro que temos sido impactados há décadas por diferentes crises econômicas internacionais, que novas provavelmente ocorrerão nos próximos 11 anos.

Esse tipo de abordagem não é adequado na construção de cenários, pois não nos force informação sobre uma variável motriz que pode alterar o curso dos acontecimentos. Sendo assim, essa possibilidade dever ser pensada, avaliada suas consequências, e um “plano B” formulado, caso esse possível cenário de instabilidade internacional ocorra. O país não pode ser surpreendido, os agentes econômicos devem estar preparados, e temos que considerar isso em nossos projetos, avaliando seus riscos e traçando estratégias de como continuar avançando mesmo em momentos de crises mundiais. Assim evitamos estratégias atabalhoadas, que podem nos levar mais para o fundo do poço.

O exemplo mais conhecido mundialmente são os cenários da Shell da década de 1970. A Shell não previu o que iria acontecer, mas levantou a possibilidade e se preparou para tal. Como foi a única das empresas de petróleo que havia pensado antecipadamente, era a única que estava preparada para enfrentar a crise do petróleo.

Cenários são utilizados justamente para pensarmos com antecedência as possiblidades de futuro e, assim, estarmos melhor preparados para enfrentar a incerteza. A reflexão sobre a incerteza associada, principalmente, às variáveis muito motrizes, gera aprendizado que facilita a tomada de decisão antecipada, além da auxiliar na priorização das apostas estratégicas que devemos fazer. Também nos auxilia a priorizar nossas ações em momentos de crise, pensando essas questões antes dos eventos ocorrerem.

O amplo debate dos temas, envolvendo o maior número de atores auxilia nesse processo e deve ser uma prática na construção de cenários, mesmo quando a formulação da estratégia seja top down, como acontece na maioria das organizações ao redor do mundo.

Ao tempo em que parabenizo a iniciativa do Ministério da Economia por fornecer ao país um rumo, questiono os demais órgãos do Estado e os agentes econômicos: qual será a sua contribuição na construção do desenvolvimento do país? E ainda, qual será a contribuição de cada cidadão brasileiro nessa empreitada? Se formos juntos, vamos longe.

 

Estratégia Federal de Desenvolvimento para o Brasil – Link: https://bit.ly/3e2EO85